terça-feira, 6 de junho de 2017

Resenha: Manual Russo de Finais (The Russian Endgame Handbook) de Ilya Rabinovich

Título: The Russian Endgame Handbook
Autor: Ilya Rabinovich
Editora: Mongoose Press (EUA)
Formato: capa dura
Páginas: 523




Um antigo ditado soviético dizia que os enxadristas amadores do Ocidente "jogavam aberturas como grandes mestres, meio-jogo como experts e finais como iniciantes". Isso vem daquilo que já foi tratado em outro post neste blog, de que a escola soviética de xadrez - a mais vitoriosa de todos os tempos - sempre tinha como método de estudo do jogo iniciar não com aberturas, mas com o domínio dos finais.

Jogadores soviéticos treinados  conduziam sem medo o jogo para o final, confiantes na sua habilidade superior. Este livro se conduz rigorosamente nesta linha.

Rabinovich conduz a um novo entendimento dos finais de jogo com um sofisticado nível, iniciando com os xeque-mates elementares e daí para patamares mais complexos. 

Trata-se de uma obra tanto para veteranos como para iniciantes. Infelizmente não temos tradução em português. Seus inúmeros diagramas nos ajudam a entender tudo que se explica.

O que é importante saber é que para cada final de xadrez, em especial os com poucas peças, o jogador em vantagem tem que apenas seguir uma técnica. O final pretas com um rei brancas com o rei e torre é infalível para as brancas, se não houver um erro crasso, o que levará ao empate, que é uma derrota moral.




O estudo do xadrez por principiantes deve, paradoxalmente, começar pelos finais.  Isso porque os iniciantes cometem tantos erros que quase invariavelmente chegam ao fim do jogo com poucas peças. Aquele que  tiver o domínio do final para levar ao mate será o vencedor. Além disso, no meio jogo surgem situações estudadas no final, e que quando bem jogadas decidem a partida.


sábado, 3 de junho de 2017

Relato de viagem - Patagônia Argentina

No início do mês de maio passei 12 dias na Argentina, conhecendo a Patagônia, ao sul (Terra do Fogo e província de Santa Cruz). Gostaria de partilhar no blog minhas experiências nessa aventura maravilhosa no país vizinho.

A primeira coisa que se destaca é a natureza de clima sub polar e temperado. Temos em nosso continente uma exuberante paisagem nevada que nada perde para a Europa. Ushuaia, capital da Terra do Fogo, é cercada de montes com neves eternas, lindíssimos. Quando chegamos lá o dia estava tremendamente chuvoso e nublado e não vimos nada. Na manhã seguinte, ao raiar do sol, me deslumbrei com todas aquelas montanhas de origem vulcânica, com seus picos cobertos de neve, rodeando toda a cidade.



Ushuaia é uma cidade simples, com aproximadamente 58 mil habitantes. Foi transformada em zona franca, com incentivos fiscais, a fim de industrializar e povoar a região, de clima inóspito. No passado, a tentativa de colonização da Terra do Fogo foi com a instalação de presídios, o que acabou fracassando. Infelizmente, o atual governo neoliberal de Macri retirou muitas das medidas protecionistas da indústria e comércia da região, aumentando o desemprego exponencialmente.



Ushuaia é a região mais austral do planeta, descontando a Antartida, que fica a menos de mil km. Neva o ano todo, visto que nuvens carregadas de neve vem de frentes polares da Antartida e, mesmo com temperaturas acima de 0º neva abundantemente na região. Com 40 anos nunca havia visto neve na vida e tive o privilégio de ver uma nevasca que deixou tudo branquinho nos montes de Ushuaia.



Existem diversas opções turísticas na cidade. Passeios de Catamarã no Canal Beagle, que separa a Terra do Fogo do pólo sul, onde se observa a fauna característica, com pinguins, leões marinhos e aves nativas.

Outro destino foi uma cidade da província de Santa Cruz, chamada El Calafate. O nome provém de uma fruta típica da Patagônia, que tem uma cor rosada e um sabor parecido com morango ou framboesa. A atração da cidade são os chamados "glaciares" (geleiras), que são quase montanhas de gelo que se formam a partir do acúmulo de neve no topo das montanhas, desce e se comprime, formando gelo maciço. São gigantescos. O Glaciar Perito Moreno, no parque nacional, tem o tamanho da cidade de Buenos Aires, e mesmo assim não é o maior de todos. O maior é o glaciar Upsala, batizado em homenagem a universidade norueguesa que primeiro estudou as geleiras. O passeio é de navio, pois as geleiras se encontram com lagos gigantes, como o lago Argentino, e ficamos bem próximo deles. É algo incrível.

Com muito menos investimento com viagens à Europa podemos ter experiências com um clima totalmente diferente do Brasil. Vale a pena.