segunda-feira, 20 de junho de 2016

Minhas Melhores Partidas de Xadrez - Bobby Fischer



Editora Record
420 páginas

Bobby Fischer foi um ídolo do xadrez norte americano, pois foi o único que derrotou os soviéticos no Campeonato Mundial de Xadrez de 1972. Fischer derrotou Boris Spassky, soviético.
(Veja o post sobre Fischer)

São sessenta partidas analisadas lance a lance. Inclue até três derrotas. O pior defeito do livro é a utilização de uma notação ultrapassada dos jogos de xadrez.




Trata-se da análise das partidas mais importantes do autor. Ele mostra considerações estratégicas e táticas. Um dos livros considerado vital na formação do enxadrista pelos grandes mestres.



domingo, 19 de junho de 2016

Bobby Fischer teaches chess - Bobby Fischer ensina xadrez


Ainda não traduzido no Brasil, este pequeno livro da editora Bantam Books, ensina, através de pequenos problemas de xadrez, a pensar da mesma maneira que Bobby Fischer fazia. Este é o segredo. Os problemas colocam o estudante em situações altamente embaraçosas nas quais você é convidado a resolvê-las da mesma forma que Fischer faria,

Certamente você será um melhor jogador de xadrez depois das aulas de Bobby Fisher.

Fischer é um verdadeiro mito do enxadrismo norte-americano . Sua grande façanha foi ser campeão mundial de xadrez em 1972, tendo como adversário o soviético Spassky. a URSS detinha praticamente a total hegemonia sobre o xadrez mundial. Desde que entrou para a Federação Mundial de xadrez, a URSS. (veja o post sobre a personalidade de Fischer)

Simples e descomplicado, este pequeno manual certamente fará de você um enxadrista muito melhor.






Grandes Mestres, personalidades controvertidas (I): Bobby Fischer

Bobby Fischer no auge da carreira

Robert James Fischer (1943-2008), de apelido "Bobby", é o maior mito do enxadrismo norte-americano. Em plena guerra fria e com a hegemonia brutal dos soviéticos nos campeonatos de xadrez, Fischer sagrou-se campeão mundial de forma heróica, contra o soviético Boris Spassky. O feito foi celebrado nos EUA de forma entusiástica, pois o tabu da invencibilidade soviética havia sido quebrado.

No entanto, Bobby Fischer nunca jogou xadrez para ser uma peça da Guerra Fria. É dele a seguinte afirmação:

"Os Estados Unidos são baseados em mentiras. São baseados em roubo (...) A história do país é basicamente o quê? Ganhar algo do nada. Certo? Tomar. Matar. Eles invadiram o país; roubaram as terras dos indígenas. Mataram quase todos eles. Trouxeram escravos para trabalhar os campos, construir o país. Certo? (...) Agora por quê o homem branco não veio à América de maneira civilizada, dizendo nós somos perseguidos na Europa, não temos liberdade de religião? Gostaríamos de vir aqui. Gostaríamos de assimilar. Gostaríamos de nos casar com suas mulheres, etc, certo? Mas não. Eles disseram estamos vindo aqui para tomar sua terra e matá-los, certo? (...) Essa é a história dos Estados Unidos, um país desprezível. Mesmo como garoto, eu nunca tive o menor interesse em história americana. Nunca! Eu sabia que havia algo de podre no Reino da Dinamarca".


Bobby Fischer e Spassky na final de 72


Bobby Fischer foi um verdadeiro gênio, talvez só superado por Kasparov. Foi campeão norte-americano 8 vezes e venceu praticamente todos os torneios que participou.

Traduzo aqui uma pequena introdução ao livro "Bobby Fischer Teaches Chess" (Bantam Books), ainda sem tradução no Brasil:


O FENOMENAL BOBBY FISCHER

Ele nasceu com o nome de Robert James Fischer em 9 de março de 1943, em Chicago, mas cresceu no Brooklyn. Quando ele tinha seis anos, sua irmã Joan lhe comprou um tabuleiro de xadrez, no qual aprendeu as primeiras noções.
O desenvolvimento de Bobby no xadrez é incomparável. Quando ele tinha 30 anos, ele tinha alcançado fama internacional proveniente da vitória naquele que foi considerado o "jogo do século". Em 1957 ele foi campeão dos EUA pela primeira vez. Ele tinha 14 anos. Bobby ganhou ou empatou todas as partidas que disputou nos quatro anos seguintes.

Em 1963-64 Bobby realizou o inédito feito de, no Campeonato de Xadrez dos Estados Unidos, ganhar todos os onze jogos sem um único empate.
Em 1965, no Capablanca Memorial Tournament, Bobby 
demonstrou mais um episódio de sua lendária energia. Tendo em vista a Revolução Cubana e o veto de acesso de cidadão norte-americanos ao país de Fidel, Bobby revolucionou e jogou contra seus oponentes através de teletype. Foi um feito até então inédito em todos os campeonatos.

Em 1970 ele realizou mais um dos maiores feitos do xadrez mundial. Ele venceu sete jogos diretos num torneio internacional. Foi neste ano que ele venceu Mark Taimanov, um russo, em uma das rodadas do campeonato mundial.
Ele alcançou o primeiro conhecido como "shutout", que é o mach que um dos jogadores não ganha nenhuma partida. O placar foi seis a nove. Bobby havia ganho treze partidas consecutivas. No round seguinte ele bateu o dinamarquês Bent Larsen pelo mesmo escore! Dezenove jogos numa mesma carreira!

O próximo desafio de Fischer seria o ex-campeão mundial Tigran Petrosian, um soviético, em Buenos Aires; ganhando estaria classificado para a finalíssima com Spassky. Contra Petrosian, Bobby ganhou o primeiro jogo com a tática de prolongar a partida. Então ele ficou resfriado e perdeu a segunda partida. Tudo ficou em suspenso até que Bobby se recuperou. Ele venceu.

Segundo um especialista alemão em xadrez falou à revista Life, "nenhum outro jogador tinha tanta ferocidade para vencer. No tabuleiro ele irradiava perigo, e mesmo os oponentes mais fortes se sentiam 'gelados'. Eles eram coelhos e ele uma pantera. Mesmo suas fraquezas eram perigosas. Quando jogava com brancas ele sempre abria o jogo da mesma maneira, o que possibilitava seus oponentes fazerem planos de forma antecipada. No entanto, ele era tão forte que os planos nunca funcionavam. No meio-jogo ele era preciso, inventivo e fabuloso, e no final simples que ninguém o vencia"

 
Fischer tinha uma personalidade irascível e era hostilizado por outros jogadores. Seu ego era monstruoso e sua competitividade passava dos limites. Perdeu a serenidade muitas vezes.

Fischer largou o xadrez no ápice de sua carreira de forma inexplicável. Para provar que não era um marionete da Guerra Fria renunciou à cidadania americana e tornou-se islandês. 

Ficou famosa sua declaração sobre os atentados de 11 de setembro, de que para ele pouco importava, e que os judeus eram "ladrões, mentirosos e bastardos".

Bobby Fischer inventou uma modalidade de xadrez que denominou "960". As peças da segunda linha são dispostas de maneira aleatória, com o intuito de que o jogador não tenha que memorizar aberturas, usando sua criatividade.




O Grande Segredo do Xadrez Soviético - tradução livre de artigo do site chess.com

A famosa escola soviética de xadrez tem produzido centenas de mestres e dezenas de campeões mundiais. Milhares de treinadores de xadrez ensinar seus alunos usando "o método de treinamento Soviético."
Mas quem pode realmente descrever o que exatamente foi / é a escola soviética?
Wikipedia dá-lhe uma tentativa: " . Especialistas de xadrez na URSS descreveram a escola soviética de xadrez como um estilo acelerado, ousadia de jogo melhor exemplificado pela jovem geração de jogadores do pós-guerra"  
Hmm, em seguida, Tigran Petrosian era um atacante louco ou ele não era um produto da escola soviética.
O mesmo artigo na Wikipedia dá uma explicação melhor:
A principal contribuição da Escola soviética de xadrez não era o estilo de jogadores, mas sua ênfase em treinamento rigoroso e estudo do jogo, ou seja, considerando o xadrez um esporte em vez de uma arte ou ciência."
Agora faz mais sentido e a maioria dos jogadores de xadrez geralmente concordam com esta definição.
Aqui está o que Vladimir Kramnik tem a dizer:
"Exemplo e ensinamento de Botvinnik estabeleceu a abordagem moderna para a preparação para xadrez competitivo: o exercício físico regular, mas moderado; analisar muito cuidadosamente um repertório relativamente estreita de aberturas; anotar os próprios jogos, os de grandes jogadores do passado e os dos concorrentes; a publicação de um de anotações para que outros possam apontar eventuais erros; estudando adversários fortes para descobrir seus pontos fortes e fracos;. objetividade implacável sobre as próprias forças e fraquezas "  
Desde que eu era um estudante da famosa escola Botvinnik-Kasparov (assim como o próprio Vladimir Kramnik), estou absolutamente de acordo com esta afirmação.
Agora deixe-me fazer-lhe uma pergunta simples. É um fato bem conhecido que a equipe soviética ganhou praticamente todos os único evento que desempenhou. Estou a falar de olimpíadas de xadrez, campeonatos europeus e mundiais, etc.
No entanto, na última década, a equipe russa (que consiste dos jogadores que foram criados e treinados pela mesma máquina de xadrez Soviética) quase não ganhou nenhum Olimpíadas, apesar de ser favorito pesado em cada um deles.



Além disso, a última vez que verifiquei, o atual campeão mundial vem da Noruega e (surpresa!) Nem sequer fala russo! Então, o que aconteceu aqui? Será que os famosos métodos da escola soviética pararam de funcionar após o colapso da União Soviética?
Muitos autores de xadrez prometem revelar "os segredos escondidos da escola soviética", e ainda, de alguma forma, eu não vi o maior segredo revelado.
Mas hoje eu vou dizer a este mau grande segredo só para os leitores da Chess.com. A história desde a minha juventude será a melhor explicação para este segredo.
No final da década de 1980, fui convocado para o exército soviético e enviado para a cidade de Novosibirsk, que foi localizado no Distrito Militar da Sibéria. Tomando a oportunidade, deixe-me garantir-vos meus queridos leitores, que ao contrário da crença popular, não há ursos nas ruas de cidades da Sibéria.
Mas é ainda muito frio, local frio, especialmente no inverno. 
Felizmente, a divisão de desporto onde servi tinha nada a ver com o que pensamos quando ouvimos a palavra "exército".
Em mais de dois anos da minha serviço militar eu tinha que disparar o famoso AK-47  apenas uma vez durante o treinamento. Em vez disso eu deveria bater meus oponentes sobre o tabuleiro de xadrez para a glória do exército soviético poderoso.

Um dia, fui informado de que o nosso coronel chamado para mim. Quando entrei em seu escritório, ele calorosamente cumprimentou-me. Aqui eu tenho que mencionar que ele era um bom homem. Uma vez que ele realmente me salvou quando adormeci durante a manhã de formação política (que era basicamente uma palestra sobre as vantagens do comunismo sobre o capitalismo).
Não só eu dormir; Eu roncava também! Não ria, meu nariz estava congestionada desde que eu tinha um resfriado (eu mencionei que a Sibéria não é exatamente Hawaii?). Meu privação de sono poderia ter sido facilmente interpretada como traição nacional e ainda, graças ao nosso coronel, tudo terminou com apenas uma boa risada. Mas estou divagando aqui.
Após o nosso coronel me cumprimentou, perguntou onde eu preferiria jogar: no Campeonato Mundial Júnior, que deveria ter lugar em Adelaide, Austrália, em cerca de um mês, ou na equipa do Campeonato do Exército, que estava programado exatamente na mesma vez em Riga.
Depois da minha resposta esperada, ele explicou que se eu jogasse no Campeonato do Exército, gostaria de ganhar o meu júnior (com menos de 20 anos de idade) bordo com certeza e, portanto, trazer os nossos muitos pontos Distrito Militar da Sibéria na competição entre todos os distritos militares da União Soviética exército.



Agradeci-lhe a sua confiança em minhas habilidades. Para ser justo, Eu, na verdade ganhou a bordo júnior à frente de Ivanchuk no ano anterior (1987), bem como o ano mais tarde (1989), onde marcou 12.5 de 13 jogos. Ainda assim eu insisti que eu preferiria jogar no Campeonato Mundial Junior.
Então ele me perguntou se eu poderia garantir que eu iria ganhar uma medalha no Campeonato Mundial Junior. Imediatamente me lembrei de uma situação similar que aconteceu antes da partida  final de 1974 entre Karpov e Korchnoi. O vencedor iria jogar o campeonato mundial vs. Fischer.
Ambos os adversários foram perguntados se eles seriam capazes de bater Fischer. Karpov não teve quaisquer dúvidas sobre a vitória sobre Fischer, enquanto Korchnoi disse que neste momento ninguém pode bater Fischer. Nesse exato minuto, o destino desses dois grandes jogadores foram selados. Karpov se tornou um favorito do sistema dominante e Korchnoi ... bem, todos sabem o que aconteceu com Korchoi após a partida fated do ano de 1974.
No entanto, eu segui os passos de Korchnoi e respondeu que não poderia garantir que eu iria ganhar uma medalha no Campeonato Mundial Junior. O coronel me perguntou de novo porque eu preferia um torneio com um desfecho incerto sobre o torneio que eu estava indo para ganhar com certeza (pelo menos de acordo com ele).
Expliquei que uma vitória no Campeonato do Mundo Júnior dá uma norma GM e no passado sempre deu jovens jogadores promissores um grande empurrão para o nível superior de xadrez (por exemplo Spassky, Karpov e Kasparov venceu os campeonatos mundiais júnior).
Agora você pode ver que o nosso coronel era realmente um bom homem. Ele poderia ter simplesmente me mandou para jogar no Campeonato do Exército; ao invés disso ele me pediu para vir perto da parede com um grande mapa da União Soviética.
"Olha, Serper privada, este é um mapa da nossa bela pátria", disse ele enquanto apontava o dedo para a parede.
"Sim, senhor", Concordei prontamente.
"E isso, Serper privada, é o Distrito Militar da Sibéria." Ele fez um grande círculo com o dedo sobre um grande pedaço do mapa. 
"Sim, senhor", eu novamente assentiu.
"Esta pequena ilha, Serper privado", o coronel tocou o dedo em algum lugar sobre o Oceano Ártico ", também pertence ao Distrito Militar da Sibéria."
"Sim, senhor", eu repetia como um papagaio, ao olhar para uma conexão entre a pequena ilha no Oceano Ártico e no Campeonato Mundial Júnior na Austrália.
"Então, aqui está o negócio, Serper privada", o coronel sorriu. "Se você ganhar uma medalha no Campeonato Mundial Junior, em seguida, como você sabe,o sucesso nunca é culpado", invocando um provérbio russo bem conhecido.  "Mas se você terminar o torneio abaixo do terceiro lugar, em seguida, o resto do seu serviço militar terá lugar nesta pequena ilha ", ele terminou com ainda maior sorriso.

No primeiro momento eu não conseguia dizer uma palavra. Cada uma dessas pequenas ilhas no Oceano Ártico eram conhecidos como Chateau d'If do Distrito Militar da Sibéria. As pessoas raramente voltou ileso de lá. Desde que eu não tinha a minha Abbe Faria, as chances de um geek de xadrez como eu para voltar de uma dessas ilhas em um pedaço estavam perigosamente perto de zero!
Do outro lado eu sabia que se eu perder o que poderia ter sido a oportunidade de toda a minha vida, eu nunca iria me perdoar por ser um covarde. Então, tentando me recompor eu disse: "Obrigado senhor!" - Na esperança de que a minha voz trêmula não desistir do meu estado emocional.
Depois de um par de meses, e eu estava lutando contra os melhores jogadores de xadrez jovens de todo o mundo. Alguns dos meus jogos foram bons, como o próximo, onde joguei Michael Adams, o futuro super-GM. Anos mais tarde, Michael ganhou o apelido de "aranha" por sua capacidade de tecer uma teia em torno de peças do seu oponente.
No jogo seguinte, não estava claro quem era a aranha, eu ou o meu adversário. Sorrir
Alguns dos meus jogos não eram tão grandes, como o seguinte desastre vs. GM Susan Polgar (naquela época ela representava a Hungria e seu primeiro nome era na verdade Zsuzsa). Sempre foi difícil para mim jogar contra meninas ( ver esta história, por exemplo ), mas neste jogo em particular não tenho desculpas: Susan jogou muito bem e eu joguei mal, portanto, o resultado do jogo:
Felizmente, era a minha única derrota no torneio e o momento da verdade veio no jogo última rodada contra o GM Jeroen Piket da Holanda. Eu estava muito nervoso desde que foi o jogo que literalmente era para determinar a minha vida futura. As pessoas que fumam cigarros de uso para lidar com sua ansiedade, mas eu nunca fumei na minha vida.
Assim, em vez de um cigarro, eu bebi nada menos que 10 xícaras de café muito forte durante todo o jogo. Eu não sei como eu consegui sobreviver a esse jogo (especialmente o tempo problemas mútuo) como meu coração estava batendo o tempo todo. 
Agora me diga, que tinha uma melhor motivação neste jogo: um cara que ia passar mais um par de semanas na Austrália, juntamente com o seu treinador GM Sosonko, visitar a Grande Barreira de Corais e jogar muitos mais torneios de xadrez, independentemente do resultado da Campeonato do mundo Júnior, ou o seu adversário lutando pela sobrevivência pura, por uma chance de não congelar até a morte na remota ilha no Oceano Ártico?

Isso é o que eu chamo de escola soviética! 
Como o resultado deste jogo, eu empatou em primeiro lugar e teve uma recepção muito calorosa quando voltei aos meus quartéis.

                                   GM Gregory Serper, membro da comissão de autores de artigos do site chees,com.
Em 11/10/2oo6





sábado, 18 de junho de 2016

Xadrez: o guia definitivo - James Eade



Editora Marco Zero 
256 páginas 

Esse livro é um manual diferente do convencional. Ricamente ilustrado, editado em espiral e papel cauchet é um guia completo e fácil para aprender e aperfeiçoar o xadrez.


As ilustrações facilitam muito a boa compreensão da obra, mais do que os repetidos diagramas dos manuais comuns.

O livro é dividido em nove seções: o começo, princípios de abertura, tipos de jogos, padrões de mate, configurações do centro e das alas, táticas, considerações posicionais, peões e final do jogo.

James Eade escreveu muitos livros sobre xadrez, incluindo o famoso "Xadrez para Principiantes " editado no Brasil pela Alta Books, naquela coleção de capas amarelas. Como jogador foi presidente da associação de jornalistas da América (Chess Journalists of America), recebeu o título de grande mestre pela USCF em 1981 e pela FIDE em 1993.






sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Significado do Xadrez - Emanuel Lasker (Campeão Mundial 1824-1921)

Traduzo livremente a introdução do livro  "The Soviet Chess Primer" - A Cartilha do Xadrez Soviético, do famoso enxadrista Emanuel Lasker.

O Significado do Xadrez

Texto de Emanuel Lasker
Campeão Mundial ente 1894-1921)
Prefácio do livro “The Soviet Chess Primer” de Ilya Mazelis.
Escrito em 1936, em Moscou, como prefácio.
Traduzido por Alexandre Magalhães.

A história do xadrez remonta a um tempo muito distante. Milhares de anos atrás – ninguém sabe exatamente quando – pessoas começaram a satisfazer suas necessidades de diversão fabricando tabuleiros, riscando linhas neles, e colocando pedaços de pedras ou peças nas casas (assim chamadas as intersecções entre as linhas), bem como estabelecendo movimentos para estes objetos. Apareceram milhares de esboços e rascunhos destes jogos. Ilustrações foram encontradas nas pirâmides egípcias. Eles foram mencionados em músicas e narrados em sagas. Um jogo chinês é datado de milhares de anos; o xadrez foi criado na Índia há dois mil anos. A forma hindu de xadrez inspirou vários jogos e se espalhou por toda a Ásia.

O xadrez hindu atravessou a Pérsia e chegou à Europa. As regras do jogo mudaram – elas eram mais racionais. O xadrez original recebeu muitas mudanças depois de centenas de anos atrás na Itália. Outrossim, demorou muito tempo para que as mudanças inseridas no jogo fossem aceitas na Europa toda. O que chamamos de xadrez é a versão europeia do jogo, disseminada em todo mundo.



Na Índia o xadrez procurava se aproximar ao máximo com a imagem de uma guerra. O tabuleiro de xadrez se figurava como um campo de batalha. As peças eram divididas em dois campos opostos de cores diferentes (branco e preto). A classificação das peças era feita de acordo com as divisões do exército indiano. Na cabeça do exército figurava o Rei, chefe supremo, e era por causa da defesa de sua vida que a batalha era travada. As tropas eram constituídas de elefantes e cavaleiros, que se distinguiam pela sua mobilidade e força, bem como uma bem armada infantaria. As peças eram movidas pelos jogadores mediante regras previamente estabelecidas. Os inimigos iam subtraindo peças uns dos outros até o momento que o rei resta sem defesa e “morre”.

Com o passar do tempo, as características da guerra se modificaram. O momento em que a vida de uma única pessoa - o rei – era o prêmio de toda uma batalha, recuou há um tempo muito distante. Também os elefantes saíram como parte das hostilidades. Agora o jogo de xadrez retomou características que tinha quando nasceu. Até hoje, o jogador de xadrez move suas peças de acordo com regras pré estabelecidas e se vê como um cavaleiro numa batalha da qual o sucesso depende do êxito de seus planos. Se quisermos hoje representar a moderna guerra no xadrez, necessitaremos modificar todas as regras do jogo. Os jogadores, por sua vez, não sentirão nenhum trauma em relação a estas modificações, visto que seus objetivos são muito claros, executar e avaliar seus planos concebidos; e qualquer regra que torne isso possível serve – desde que ambos os oponentes se ponham de acordo em cumpri-las rigorosamente. O melhor de tudo é que o jogo possui uma longa história, uma vasta literatura, que pode instruir quem se interesse por ele.



Na vida de um homem existem frequentes situações que nos forçam a decidir aonde colocarmos nossos maiores esforços e onde quais tipos de obstáculos devemos superar. Para isso, temos que ter um plano definitivo. A faculdade de pensar distingue o ser humano dos animais que age por instintos. Ao longo dos séculos, o ser humano realizou verdadeiros milagres: subjugou desertos fazendo-os frutificarem; conquistou vastas áreas e construiu cidades; incrementou a vida social; ele criou monumentos de arte que se eternizaram; ele criou a ciência e a tecnologia. Criação necessita de esforço e luta. E neste processo de combate, o homem não obtém sempre sucesso na obtenção do êxito de seu plano. Neste processo, muitos erros acontecem. O homem é propenso a produzir noções preconcebidas e preconceitos em vez de usar a razão para o julgamento criterioso. Ele é inclinado a por sua confiança na astúcia e fazer estratagemas ao invés de por sua força para ser guiada pela razão. Isso não é o suficiente para resolver e evitar erros, pois no calor da luta muitas boas intenções são esquecidas.

O jogador de xadrez é o grande beneficiário, e esta cultura melhorada, pelo fato que ele adapta a si mesmo no vigoroso processo do jogo, e ele treina a si mesmo com indispensáveis planos com base em muita experiência.

Emanuel Lasker
Não há nenhuma dúvida que o treinamento constante foi uma proposta que o inventor dos inventores do xadrez (não temos a exata informação na origem do jogo) teve na sua mente. Isso fica evidente porque as regras do jogo não correspondem exatamente a uma guerra real. No xadrez, as duas partes têm exatamente as mesmas forças a sua disposição no início do jogo, bem como o mesmo tipo e quantidade de armas. Isso não acontece nas guerras reais. Com respeito ao jogo, ele é mais justo que a vida, aonde a força bruta geralmente prevalece. A vitória no xadrez não vem da força, mas do desenvolvimento do raciocínio. No xadrez, cada jogador joga uma vez e cede a jogada ao oponente. Nas guerras reais essa norma é totalmente desrespeitada. Esse respeito ao oponente tem um profundo significado. Ambos os jogadores têm igual chance de êxito, e a opinião de que aquele que teve o primeiro lance tem mais chances não procede, apesar de triunfar no debate. Os estudantes de xadrez devem adquirir o hábito civilizado de ouvir a opinião de seu oponente – e mais que isso, pacientemente esperar por ela.

Neste meio o estudante, gradualmente, vai se familiarizando com os princípios do combate. O conhecimento adquirido nos exercícios deriva para as partidas, e ele vai gradualmente adquirindo maestria. Mas ele deve ter a cautela de não seguir mecanicamente o conselho dos outros. Ele não deve jogar por hábito. Estudar a literatura ou seguir os conselhos de um professor não é o suficiente – o estudante deve formar seus próprios julgamentos e permanecer neles com persistência. Ao contrário, ele jogará xadrez da mesma forma que um papagaio pronuncia palavras – sem entender seu significado.

Pessoalmente eu nunca estudei mais de uma valiosa lição no mesmo dia que eu haveria de testemunhar um jogo sério entre mestres pela primeira vez. Meu irmão, acompanhado de outro mestre, estava jogando contra um par de outros mestres, consultando cada um deles. Cada um dos mestres estavam em salas diferentes. A mim foi atribuído o dever (era jovem na época) de retransmitir cada movimento dos oponentes em cada jogada. Como mensageiro das consultas, fui seguindo os movimentos sugeridos e prestando muita atenção nos argumentos a favor ou contra. A discussão de cada jogada chegava a durar um quarto de hora ou mais, até que cada um dos mestres chegasse a uma decisão final. Isso me ensinou a trabalhar no sentido da conclusão de acordo com um plano, e chegar aos meus próprios julgamentos. Se eu chegasse por mim mesmo a uma pista errada, eu ainda assim ganhava mais experiência, especialmente nas derrotas sofridas, contra a fé cega nos livros ou na autoridade de outros mestres. A derrota me afligia; mas sempre fazia-me tentar identificar meu erro e trabalhar melhor. Assim, pouco a pouco fui adquirindo um senso do que é bom ou ruim, o que genuinamente forte ou o que não passa de uma impressão. Depois disso eu não mais assustava meus oponentes com truques espertos; eu aprendi a confiar na força mais do que na intuição, mesmo que pensar assim é um caminho muito mais difícil. E eventualmente eu mudava o caminho que seguia, o que me dava melhores resultados.


Obviamente que o estudante não pode negligenciar toda a experiência acumulada antes dele. Isso não é somente porque o xadrez é um jogo milenar. Não é em vão que o jogo produziu grandes mestres que impactaram seus contemporâneos e as gerações futuras pelo estilo de seu jogo. Não é em vão que existe uma teoria do jogo que foi desenvolvida e tem aplicação prática. Não é em vão que torneios e matches entre mestres são observados e analisados. O estudante deve analisar e descobrir em que é melhor, se ele quiser devotar algum estudo útil ao aprendizado do xadrez. No entanto, ele pode sentir-se recompensado por este trabalho abundante, ele deve continuar o esforço de desenvolver sua criatividade. Com esta finalidade ele deve dedicar-se à análise, não somente o que lhe é recomendado, mas muito pelo contrário, ele deve devotar-se a tirar suas próprias conclusões. Desta forma ele vai adquirir aquilo que é mais valioso – a capacidade independente de ser criativo e fazer seus próprios julgamentos – e assim servir-se desse aprendizado para tornar-se de pleno direito um artista do jogo.

A perfeição na técnica sozinha é uma tarefa ingrata. Isso é perfeito para uma capacidade morta, adequada para vencer jogos contra oponentes medíocres e nada mais – enquanto que a faculdade de pensar e conceber planos permaneça constante e viva, nas mais inesperadas ocasiões, tanto no xadrez como na vida em si.


Essa faculdade é a mais importante e é precisamente dela que o jogador de xadrez deve desenvolver pelo exercício. Depois de algum tempo dedicado a devotar bastante atenção ao xadrez e portanto não pode deixar de avançar na maestria no xadrez, naturalmente vai adquirir o hábito independente e criativo de criar planos de singular valor para si mesmo, sabendo adaptar-se a várias situações diferentes da vida. O esforço expendido na aquisição e desenvolvimento dessas habilidades não pode ser desperdiçado.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Como os russos tornaram-se tão bons em xadrez? (do site www.slate.com )

O blog da "Nova Esquerda" estadunidense, Slate.com, publicou em 2004 a seguinte matéria que reproduzo em português:




Dois grandes mestres de xadrez russo, Garry Kasparov e Anatoly Karpov, se enfrentaram nesta semana em
um torneio de 12 jogos em Valência, Espanha. A partir deste mês, mais de metade dos 20 melhores jogadores do mundo vêm da Rússia ou de outra ex-república soviética. (O jogador de topo do ranking é búlgaro.) Por que os russos e seus vizinhos são tão bons no xadrez?

Porque os soviéticos subsidiaram o jogo. O xadrez tem sido muito popular na Rússia. O czar Ivan IV é tido por morto por ao jogar um jogo em 1584. Depois que os bolcheviques tomaram o poder em 1917, tornou-se um passatempo nacional. Logo após a revolução, comandante supremo de Vladimir Lenin do exército soviético, Nikolay Krylenko, lançou as bases para o xadrez patrocinada pelo Estado: Abriu escolas de xadrez, hospedando torneios, e promoveu o jogo como um veículo para o domínio internacional. O primeiro torneio de xadrez patrocinada pelo Estado foi realizada em Moscou em 1921. Seis anos mais tarde, o enxadrista prodígio Alexander Alekhine tornou-se o primeiro russo a ganhar um torneio mundial. Em 1934, 500.000 jogadores amadores tinha registrado com o programa de xadrez do estado. Quando Mikhail Botvinnik ganhou o título internacional em 1948, ele começou uma era de dominação soviética que se estendeu ininterrupta, com exceção de uma raia de quatro anos pelo americano Bobby Fischer-até a queda da URSS.

Bonecos no estilo tradicional russo de seus presidentes


Xadrez foi um ajuste natural para a União Soviética. Por um lado, muitos dos seus pensadores e líderes eram jogadores de xadrez ávidos. Lenin era um jogador sério, mas autor russo Maxim Gorky reivindicado Lenin ficou irritado quando ele perdeu. Leon Trotsky teria jogado em Viena e Paris. Stalin se importava tanto com sua reputação como um mestre de xadrez que ele divulgado um jogo falso na qual ele afirma que derrotar apoiante do partido e futuro chefe da polícia secreta Nikolai Yezhov. (Stalin mais tarde teve o executou.)

Os soviéticos também viram xadrez como incorporando seus ideais revolucionários. Foi um jogo de habilidade, e a URSS se orgulhava de seus talentos intelectuais. Ele foi barato, e qualquer um pode jogar. E para os líderes soviéticos, a sua dinâmica de vai-e-vem refletiu o conceito dialético da história defendida pelo marxismo. (Não importa a ironia de jogar com símbolos imperialistas como reis e rainhas.) Os russos desenvolveram uma reputação de pensamento coletivo quando se tratava de xadrez. Concorrentes soviéticas foram, por vezes, disse a perder de propósito em torneios, a fim de limpar o caminho para melhores jogadores. No famoso jogo entre Bobby Fischer e Boris Spassky em 1972, dezenas de grandes mestres soviéticos acompanharam a partida durante os intervalos e debateram o próximo movimento de Spassky. Fischer, por outro lado, trouxe um assistente.




O xadrez veio pela primeira vez para a Rússia ao longo das rotas comerciais da Pérsia e da Índia em torno do século VII. Como o jogo evoluiu, a Rússia desenvolveu algumas de suas próprias regras: No século 18, por exemplo, a rainha poderia saltar em uma L-forma (como um cavaleiro), além das suas habituais movimentos laterais e diagonais. Não foi até meados do século 19, quando os primeiros torneios mundiais foram realizadas, que a versão moderna do jogo solidificou e se espalhou. Xadrez continua popular na Rússia, mas não recebe o mesmo apoio do Estado já fez. Caso em questão: Garry Kasparov, o ex-campeão mundial, é agora um líder da oposição política.


http://www.slate.com/articles/news_and_politics/explainer/2009/09/red_squares.html

O Homem que Calculava - Malba Tahan


A presente obra é extremamente curiosa. Já no início temos a impressão que seu autor é um oriental. No entanto trata-se apenas do pseudônimo do professor de matemática Julio César de Mello Souza, autor de mais de 15 livros sobre o povo árabe e outras sobre matemática.






Treinamento completo de xadrez


Treinamento Completo de Xadrez contém 1200 quebra cabeças de xadrez.

É de autoria do Mestre Internacional britânico Richard Palliser. Faz parte da extensa coleção de livros da editora ArtMed sobre o jogo.



O livro é todo composto por pequenos diagramas que fornecem um desafio ao estudante. São problemas de ataque, aberturas, finais e meio jogo, etc.

Hoje com o advento da internet fazer esse tipo de exercício ficou meio ultrapassado. Mas ainda vale a pena manipular papel, livro, caneta e tabuleiro!




terça-feira, 14 de junho de 2016

Como vencer no xadrez rapidamente

Este livro é de autoria de Simon Willians, mestre enxadrista britânico. Seu objetivo com a obra é ensinar um xadrez agressivo, capaz de derrotar em poucas jogadas o adversário.



O livro é excelente com vários diagramas exercícios e exemplos. Didático certamente vai fazer seu xadrez dar um salto de qualidade.

Editora: Penso
Pos: 271

Xadrez Soviético

K

A presente resenha visa discutir um dos grandes livros da moda no xadrez mundial: "The Soviet Chess Primer ", da enxadrista Ilya Maizelis. O livro foi publicado na Inglaterra e ganhou fama internacional instantânea.



O Ocidente aos poucos vem reconhecendo valores cultivados na URSS. A visão de lazer e de felicidade estava profundamente difenciada da proposta capitalista. O xadrez era ensinado nas escolas desde as primeiras séries, e os alunos tinham prazer com o jogo. Não é por acaso que a quase totalidade dos campeões mundiais de xadrez eram soviéticos. Kasparov, o maior enxadrista de todos os temposé soviético, apesar de não ser russo.

O livro de Maizelis é dividido em duas partes e dez capítulos. A parte um é composta pelos elementos do xadrez, o xeque-mate, táticas e estratégias, técnicas de cálculo, combinação, posições do jogo e como começar uma partida. Na segunda a obra aborda o fim do jogo, o meio-jogo e os fundamentos da teoria das aberturas.



Não vou entrar em detalhes técnicos do livro. Só quero fazer aqui a defesa do xadrez escolar. Trata -se de uma matéria que não exige anos de formação e que contribui de forma bárbara para o desenvolvimento intelectual dos alunos.

Existem inúmeros clubes e entidades dedicadas à difusão do xadrez escolar. O próprio Kasparov fundou uma entidade para este fim.



Mas o que devemos reconheceré que a sociedade por trás da "cortina de ferro " não era um inferno e que certamente cada vez mais pessoas se darão conta de que a opção pelo capitalismo foi um grande erro. 

(A foto e de Magnus Carlsen atual campeão mundial de xadrez)