sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resenha Espiritualidade: "O Caminho Mais Certo Para a Felicidade", Madre Basiléia Schlink

Madre Basiléia Schlink foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela viveu o trauma da II Guerra e a destruição de seu país, a Alemanha, e de sua cidade, Darmstadt, que foi bombardeada em 11 de setembro de 1944.

Madre Basileia Schlink, já idosa


Basiléia era uma mulher profundamente cristã, oriunda da maior igreja da Alemanha, a EKD, originalmente a confissão luterana mas hoje uma confederação ecumênica de denominações cristãs protestantes tradicionais, que vivem em paz com o catolicismo. Diante do trauma da guerra e particularmente da descoberta do grande crime nazista - o Holocausto judeu - Basiléia promove um avivamento nos grupos de jovens que tinha contato em sua igreja. Por conta dessa situação surgem as condições e vocações para que mulheres - mesmo no meio protestante, tradicionalmente avesso à vida religiosa e ao monaquismo - fundassem uma congregação, denominada Irmandade Evangélica de Maria. (OBS: não é por nada que Maria está no nome da irmandade, pois o carisma mariano - e também o franciscano - estão muito frequentes entre as irmãs; ainda que não aderiram até hoje à Igreja Católica, sua postura é de profundo ecumenismo para com ela).

Irmãs com hábito, cantando louvores


Em 30 de março de 1947 é fundada a Irmandade. Hoje ela tem casas na Alemanha, França, Coréia, Brasil e muitos outros países. Tem um profundo trabalho de evangelização.

UM LIVRO SOBRE O ARREPENDIMENTO



"O Caminho Mais Certo Para a Felicidade", de Basiléia, é um pequeno brochura sobre o marco zero do cristianismo: o arrependimento, com a consequente confissão dos pecados e mudança de rumo de vida (conversão). No evangelho segundo São Mateus, 4:17, a Bíblia nos conta a primeira frase da pregação de Jesus: "Arrependei-vos porque está próximo o Reino dos Céus".

O arrependimento é o começo de tudo. O arrependimento é a porta pela qual é aberto o caminho do Evangelho para Ele (Deus) chegar até nós.

Madre Basiléia estabelece dois passos essenciais ao verdadeiro arrependimento:

1º passo: Conhecimento de que necessitamos e que nos falta arrependimento.

2º passo: Não posso dar-me o arrependimento a mim mesmo; é necessária uma dádiva de graça.

Como obstáculos ao arrependimento ela cita particularmente a chamada Justiça Própria, a justificação de nossos atos contrários à vontade de Deus, e com isso chegando mesmo a acusar o próprio Deus, como fizeram Adão e Eva no Paraíso (Gen 3: 11-13).

"Por todas as desculpas frias, explicando como caímos nesta ou naquela tentação, ou como nos vimos forçados pelas circunstâncias a falar ou agir desta maneira, tornamo-nos cegos para o fato de que pecado é pecado, culpa é culpa, e que nós somos responsáveis por nossa culpa" p. 39

"Caímos então em depressões e melancolia, pois sentimo-nos inocentes como quem sobre injustamente, sem querer humilhar-nos. É verdade, o sofrimento causado por pessoas que tornam penosa nossa vida, incute, muitas vezes, amargores no coração e nos leva a ter pena de nós mesmos. Afundamos sempre mais neste martírio, nossa compaixão de nós mesmos e ficamos sempre mais sombrios, descontentes e infelizes" p. 45

Somente um coração verdadeiramente contrito - o que é graça de Deus - que confessa um a um seus pecados e se dispõe a reparar os danos causados a outros, faz jus à promessa bíblica de I João 1:9: "Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça".

Nenhum casamento, nenhuma igreja e nenhuma comunidade podem sobreviver sem arrependimento. Estar de bem com Deus, estar de bem com as outras pessoas - é isso que significa o arrependimento. O arrependimento é a porta de entrada para relacionamentos restaurados - E ALEGRIA!