quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

La viro kiu amis la Hundoj - ESPERANTO

Leonardo Padura
Leonardo Padura Fuentes naskiĝis en Havano, Kubo, en 1955. Estas verkisto samtempe estas dediĉita al multnombraj kulturaj aktivecoj kiel teatro, filmo kaj librorecenzojn en ĵurnaloj kaj revuoj. Li estis fama por esti romanverkisto de la detektiva romano ĝenro kun lia fama karaktero Mario Conde, ĉeestanta en preskaŭ ĉiuj liaj libroj.

Tamen, Padura akiris grandan internacian sukceson kun la publikigo de la libro La viro kiu amis la Hundoj eldonita en la portugala en Brazilo por Boitempo eldonisto.

Tiu romano estis granda sukceso. Bazita sur reala okazaĵo - la murdo de la rusa revoluciulo Lev Trockij sur la ordoj de sovetia diktatoro Stalin - Padura "brodas" la intrigo brile, turnante la libro en vera krimo thriller, ĉiu paĝo lasas "voli pli" sur fine, eĉ se oni jam konas ĝin (post ĉiuj scias ke Trockij estis murdita kaj de kiu!).

La libro malvolviĝas en tri dimensioj ŝajne apartigis varianta asociante kun la kurso de historio. Unu estas la vivo de Trockij en ekzilo (Trockij estis malamiko de Stalin kaj finis excoriated Sovetunio, devante forlasi la landon, perdante sovetia civitaneco kaj vagante la mondo en serĉo de loko por doni ŝian ekzilon ĉar kiel komunisma revolucia neniu lando volis), iliaj ĉiutagaj vivoj, iliaj pensoj kaj ilian malĝojon esti forpelito en la lando kiu helpis krei.

Ramon
La dua estas la vivo de Ramón Komercisto, Trockij la murdisto, de lia juneco, kiam li batalis en la Hispana Enlanda Milito ĝis lia skrupula trejnado de la Stalinists plenumi la "misio" mortigi la "malamikon de la Sovetio." Rajmondo supozas la identecon de Jacques Monard, belga playboy ŝajne sen politikaj interesoj, por infiltri la trockiisma rimedoj kaj mortigi Trockij.


En ĉi tiu dua parto, unu el la gravuloj kiuj elstaras por la amuzo kaj discentreco estas Karitato, Rajmondo patrino. Karitato - almenaŭ en mia opinio - estas absolute freneza. Ĝi komencas en la revolucia movado inter anarkiistoj kaj faras ĉiajn frenezo - eĉ kun malgrandaj infanoj kaj edziĝintaj - kiel Homero binges, drogmanio kaj senfinajn partiojn. Li iĝas engaĝita kun stalinisma kaj iĝas lojala komunisto Stalino en tute fanatika maniero.

La tria akto estas la rakonto de verkisto frustrita en Havano, ankaŭ amas hundojn, plejparte rusaj leporhundoj, la "Borzois" kaj estas sur la strando, malnova kaj malsana viro kiu havas paron de ĉi tiuj. Ambaŭ tre kurioza ruzo konversacioj (ĵus legas la libron por lerni). Vivo en Kubo estas rakontita trankvile tra tiu karaktero, Ĝi montras ke ĝi ne estas vera iuj legendoj de la "kuba infero."



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"Os Quinze Primeiros Anos da Quarta Internacional" - J-J Marie


Título: Os Quinze Primeiros Anos da Quarta Internacional
Autor: Jean - Jacques Marie (França)
Editora: Palavra

Ano: 1981
Nº de páginas: 159
Formato: Brochura

Sinopse e crítica: sobre o autor muito já foi dito neste blog e dispensa apresentações. Sobre a editora que gostaríamos de tecer algumas considerações. A "Editora Palavra" foi a responsável pela introdução no Brasil de uma série de textos fundamentais para a reorganização do movimento operário na era da fundação do PT e da CUT. Sua criação vem junto
Mário Pedrosa delegado na fundação da Quarta
com a fundação do "Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa", do qual a livraria Palavra, que ficaria sob a responsabilidade da antiga OSI (Organização Socialista Internacionalista, que acabou entrando no PT), e que também virou editora. A "Palavra" foi uma espécie de sucessora da "Kairós", a primeira a editar o fundamental "Escritos sobre os Sindicatos" (Trotsky), já resenhado.



Alguns podem pensar que a história de uma organização que nunca atingiu sem a beirada de uma influência de massas possa ter alguma importância histórica. Aliás, a maioria dos que se dizem socialistas hoje pensam assim. 

A questão, assim, está profundamente mal colocada. A
Quarta Internacional tinha e tem um programa. Esse programa disse coisas a respeito da realidade política do século XX. No seu cerne, no mais profundo do que o Programa de Transição ao Socialismo, o programa político da Quarta Internacional, naquilo que ele tinha de mais "precioso", ele se enganou ou os fatos revelaram a justeza de suas previsões, mesmo que não em 100%, (pois Trotsky nunca foi "profeta")??

Qualquer um que, com honestidade intelectual autêntica, se debruce sobre a História do século XX, mesmo com todos os erros - e não foram poucos - verá que as grandes premissas do Programa trotskista ainda são o que falta para o desenlace positivo da Revolução Proletária. Infelizmente camaradas. Infelizmente.



Gostaríamos que houvesse surgido outro movimento mais correto que o nosso e que tivesse ganho as massas. Mas não houve. Não houve porque continua sendo uma verdade INABALÁVEL que "a questão da revolução mundial hoje resume-se na crise da direção revolucionária do proletariado". As portas do inferno não prevaleceram sobre esta premissa. Continua sendo verdade as questões da construção dos partidos, da Internacional, da Frente Única, da intervenção nos sindicatos e na luta contra o oportunismo e o sectarismo. 

J-J Marie, a despeito de quaisquer outras opiniões outras, nesta obra mostra a importância monumental que foi a construção de um grupo minúsculo chamado Quarta Internacional. Pois seu programa é fio de continuidade entre todas as outras três internacionais, falidas. Se a Quarta não tivesse sido fundada, estaríamos hoje numa situação ainda pior do que a que já estamos, que é horrenda, pois quais seriam nossos referenciais, nossos balizadores para tentar - digo assim mesmo, tentar que o movimento popular, sindical e revolucionário se reorganize??? É justamente o que centenas de pseudo intelectuais ou militantes pequeno burgueses estão fazendo, tentando reinventar a roda, quando, PELO MENOS, a bússola para a ação nós temos.

Vemos muitos atrás do "jovem Marx", das "releituras de Lênin", de tentar achar algo em Rosa Luxemburgo, tudo na melhor das intenções, mas uma busca vã, porque nenhum desses escreveu um programa para ser testado pelos fatos e estes o confirmaram. Alguns sim, negam de forma consciente a validade do Programa trotskista porque sabem que ele é verdadeiro e querem mantê-lo no gueto.

A revisão dos 15 primeiros anos da Quarta é fundamental. Foi aí que se deu o divisor de águas entre aqueles que entenderam a dialética das contradições contidas no Programa e aqueles que sucumbiram ao stalinismo. Pablo, secretário geral da Internacional, diante da vitória acachapante de Stálin sobre Hitler e do prestígio inegável que o stalinismo adquiriu no mundo todo, desistiu do trotskismo. Acreditou que o stalinismo havia mudado de natureza e uma dia, sabe-se lá quando e como, faria a revolução "à sua maneira".

Pablo não durou muito na Internacional e foi sucedido por Ernest Mandel, que conjurou suas teses mundo a fora.
Mandel
Chegou ao ridículo de, quando do XXº Congresso do PCUS, no qual Kruchov denunciou os "crimes de Stálin", mandar uma carta aos stalinistas pedindo para que a Quarta fosse "reconhecida parte do movimento comunista mundial como o titoísmo" (mas isso vai a além do livro resenhado, vale pela comicidade trágica).


A natureza do stalinismo e as raízes do pablismo são elementos essenciais para a compreensão do século XX, sendo que talvez todas as que tenham consciência não passam de algumas dúzias. 

O mérito do livro é colocar o problema. E colocar bem.