sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Especial: Revista Caros Amigos nº 76 "Modernidade Doente"


Título: Modernidade Doente
Autores: Vários, equipe editoral da Revista Caros Amigos
Editora: Editora Caros Amigos
Ano: 2015
Páginas: 31
Formato: Revista Tabloide


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Sinopse e crítica: A revista Caros Amigos é "show", como diz a gurizada. Tem um perfil plural, contando com a participação de pessoas do gabarito de José Arbex Júnior, Frei Betto, Leonardo Boff, o linguista Marcos Bagno, Laís Modelli, Fania Rodrigues e tantos outros.

A revista tem tiragem mensal e também publica edições especiais dedicadas a um tema único, como é o caso da presente. Em "Caros Amigos: Modernidade Doente", vários temas são abordados, como a "Depressão e Ansiedade" como "epidemias do século, a questão das redes sociais, o que são e como estão as cidades hoje, entre outros temas.

Gostaria de citar alguns em particular e deixar o resto para você comprar na banca de revista mais próxima (se ainda tiver) ou clicar no logo da revista e comprar online. 



O artigo "Solidão.com" de Fania Rodrigues foi meu preferido. Seu tema é a relação das redes sociais com a verdadeira sociabilidade, no mundo real, onde eu e você vivemos. Está já criado um mundo de fantasias nas redes sociais. Estou dizendo o óbvio ululante, pois todos sabem da famosa história de que "no Facebook todo mundo é feliz". Salvo algumas pessoas "diferentes" do padrão normal, só se posta no "Face", como é chamado, viagens, casamentos, festas, sempre bem vestido, alegre, na companhia de amigos.

Eu mesmo tenho que confessar que fiz várias postagens de minha viagem à Europa, num cruzeiro pelo Mar Adriático, quando conhecemos a Croácia, Grécia, Montenegro e as cidades de Veneza e Trieste na Itália (fomos de ônibus na Eslovênia também). Quem olha as fotos parece que aquilo foi um "sonho dourado". Tem uma foto de Trieste que eu olhei e achei incrivelmente bonita, MUITO MAIS BONITA QUE O LUGAR REAL! Isso me surpreendeu bastante. Aí vai ela:


Praça central de Trieste - Itália, eu com meu pai


São estes fenômenos da pós-modernidade que Fania Rodrigues, com uma clareza e lucidez excepcionais, aborda em seu artigo. "Tanta conectividade e tanta solidão, eis o paradoxo da atualidade." é a frase que abre a reflexão da jornalista. Ela afirma que o uso excessivo de redes sociais acentua a solidão. As pessoas acabem perdendo a referência com os amigos reais e ficam "boiando" num mundo "virtual" que não leva a lugar nenhum. Além disso, o bombardeio de informações, de todo tipo, além de posts de total inutilidade, besteiras inomináveis, etc. etc. que o usuário do Facebook fica sujeito. Não há como processar tudo, não há como interagir. Todos nós temos aqueles "amigos" que postam de forma enlouquecida, quase furiosos, viciados mesmo que estão em tentar dizer ao mundo coisas que estão trancadas em sua garganta e, sem sombra de dúvida, ELES NÃO TEM PARA QUEM FALAR! Sua solidão é de dar dó...

Outra matéria que não pode ser esquecida é "Geração de workaholics", de José Eduardo Bernardes. É mais longa que as outras e traz uma reflexão profunda sobre como as novas tecnologias, ao invés de liberar o homem da escravidão laboral, por conta do capitalismo selvagem que vivemos, coloca o trabalho acima de tudo e produz doenças. A matéria entrevista o sindicalista João Felício, hoje presidente da CSI - Confederação Sindical Internacional - que declara: "viver em função do trabalho é uma escravidão moderna".


"A internet, de fato, estendeu o trabalho além dos muros da empresa. A questão da globalização, da elevada competitividade, cria situações muito complicadas. O trabalhador precisa ter seu emprego, mas a que custo?"

Com esta frase encerro a resenha renovando o convite a meus leitores que comprem e leia a revista. Bom proveito!