domingo, 25 de outubro de 2015

Especial: Crítica da reportagem "À Mesa com os Ditadores", de Carta Capital

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Crítica: Na famosa e muito conceituada - e excelente revista, diga-se de passagem - Carta Capital, em seu último número, 873 (28/10/215), pela pena do jornalista Nirlando Beirão, publicou-se uma reportagem intitulada "À Mesa com os Ditadores".

Hitler e Stálin: uma confusão proposital

Trata de um tema até meio desinteressante, que seriam os "hábitos alimentares" de todos os "ditadores" do século XX.

Mao Tsé Tung
A decisão de fazer esta crítica está no vício jornalistico e de muitos ditos "historiadores" que colocam num mesmo "saco" tanto os burocratas stalinistas que chefiaram com mão de ferro os Estados Operários, quanto os chefes fascistas, que por meio de golpes contra a classe operária e seus partidos, organizaram Estados capitalistas policiais. É o caso da comparação comum entre Hitler e Stálin; já que ambos foram "ditadores" e "assassinos", logo pertencem ao mesmo "gênero" de políticos. 

Kim Il Sung e Kim Jong Il, líderes da Coréia do Norte
Existe uma diferença brutal entre o fascismo e o stalinismo. Não é por nada que, durante a Segunda Guerra Mundial, as democracias aliaram-se não ao fascismo, mas à Stálin. Ele era um monstro sim, cometeu milhares de atrocidades, mas chefiava um Estado Operário, um país que, de uma forma degenerada, caminhava para o progresso. 

Ditadores fascistas: Salazar, Franco, Mussolini e Hitler
Salazar, Franco, Hitler e Mussolini representavam o que havia - e há, pois o fascismo não morreu - de mais atrasado na humanidade. Seus valores eram a "raça", um nacionalismo desvairado, a superioridade de seu país e povo perante todos os outros e um suposto "direito" de dominação destes, até conceitos medievais, que particularmente Hitler preservava. Hitler foi membro de sociedades "secretas" que cultivavam valores de uma suposta civilização alemã-ariana de tempos pretéritos, que teria sido desde sempre o "motor do progresso humano". A ideia de que a Idade Média tinha sido um dos melhores momentos da História perpassava a cabeça destes enlouquecidos o tempo todo. A democracia e seus valores - particularmente a IGUALDADE - eram tidos como "venenos" que jogavam os "piores" para cima em detrimento dos
Crianças judias em campos de concentração
"melhores". Em última análise, a eugenia, isto é, os processos de manipulação genética para que se construísse artificialmente um povo, ou uma raça, "superior" às outras, era o objetivo final, particularmente do nazismo. Se Hitler tivesse ganho a II Guerra, a escravidão teria voltado ao mundo - pois ele já escravizava judeus em seu território - e se ele não fizesse algum "pacto" com os EUA, teríamos vivido a hecatombe nuclear. 

A Revolução Russa é filha dos mesmos movimentos que deram origem ao mundo Ocidental que conhecemos hoje, particularmente a Revolução Francesa, exceto a Comuna de Paris, que foi um movimento de
Cartaz da Comuna de Paris
cunho essencialmente operário. Por isso que insistimos que, apesar do stalinismo ter "raptado" a Revolução de Outubro e vilipendiado seus ideais de liberdade e igualdade, de uma forma ou de outra a URSS permanecia sendo um país progressista. A Revolução tirou a Rússia tsarista, agrária, atrasada, desindustrializada, para a condição de um país com praticamente todo o analfabetismo erradicado, totalmente eletrificado, com gigantes hidrelétricas e estações de extração de petróleo (principalmente na região de Baku) e depois numa potência que foi capaz de derrotar a maior
Gagarin no Times
máquina de guerra da História (o nazismo), bem como mandar o primeiro satélite e o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. 

A reportagem de Beirão, ainda que de um tema insosso, reproduz essa confusão. São todos ditadores e ponto. São todos autores de regimes "totalitários", ponto. Não consegue colocar uma vírgula de diferenciação entre uns e outros, pois têm, como dito, uma natureza completamente diversa. Comunismo, Socialismo, Nazismo e Fascismo são categorias históricas RADICALMENTE DIFERENTES e não podem, de forma alguma, mesmo numa reportagem com tons de "chiste", serem colocados no mesmo barco. 

Repetimos que a revista CARTA CAPITAL é, na nossa opinião, A MELHOR REVISTA SEMANAL DO PAÍS. Tem uma qualidade editorial e uma linha de pensamento que destoa da grande mídia pró-golpismo, como dizem alguns, "coxinha". Mino Carta, seu proprietário, é um dos melhores jornalistas do país, e consegue com grande êxito dar um tom diferenciado à sua publicação. Não é por esta crítica que estamos desprezando a revista!

Mino Carta, proprietário da revista. Grande jornalista!