domingo, 6 de setembro de 2015

Resenhas: De Irvin Yalom, Mentiras No Divã






Título: Mentiras no divã
Autor: Irvin David (D.) Yalom
Editora: Ediouro (Rio de Janeiro)
Ano: 2006
Páginas: 402
Formato: brochura


Sinopse e crítica: Irvin Yalom é um dos meus autores favoritos. Já devorei vários livros dele e outros aparecerão por aqui, como seus grandes best sellers Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Shopenhauer. Mas certamente de todos que li, Mentiras no Divã é, sem dúvida alguma, o melhor de todos.


Trata-se de um romance, no sentido estrito da palavra, com várias tramas que se entrelaçam a um fio de continuidade, com personagens muito bem construídos:

Um velho psiquiatra, supervisor do personagem principal (alter ego de Yalom), que teve "casos" (abuso) com suas pacientes e acredita que eles tinham "finalidades terapêuticas"; um viciado em jogo incorrigível; uma advogada traída e enfurecida; um paciente apaixonado a pouco tempo que resolve, a partir de sua paixonite e todos os neurotransmissores em profusão que ela causa, que seus problemas estão todos resolvidos, entre outros, que você só vai descobrir desfrutando dessa pérola.

Em todos seus livros, creio que como reflexo do que é, de fato, sua atividade terapêutica como psiquiatra, Yalom preconiza alguns paradigmas bastante interessantes (para alguém multiplamente analisado como eu, kkk): a valorização extrema da relação entre paciente e terapeuta, dento do "site" terapêutico (o que um sente, diz, fala, pensa um sobre o outro) e a mais absoluta sinceridade nesta mesma relação. Nenhuma mentira, nenhuma simulação e até nenhuma omissão de sentimentos, pois estes são os grandes materiais de trabalho de Yalom. Ele preconiza tratamentos curtos, mencionando também o fato de que os planos de saúde nos Estados Unidos dão pouquíssima folga para tratamentos de saúde mental mais longos (o que já vem acontecendo aqui também, infelizmente, apesar da ilegalidade; os planos de saúde "criam" uma diferenciação, irregular, entre consultas psiquiátricas e "comuns", bem como internações psiquiátricas e de outra natureza, criando restrições e limitações às primeiras).

Em Mentiras no Divã uma das personagens principais, por ódio ao marido que lhe trocou por uma mais jovem, resolve ir ao consultório do Dr. Lash (que, como dito, É Yalom) com intuitos "malévolos" de suposta "vingança". 
Por isso ela cria uma personagem para o psiquiatra, e mente de forma deliberada para tentar atingir seus planos delirantes de vindita.

Por sua vez, seu ex-marido continua a doce vida de apaixonado. Seus amigos e relacionamentos paralelos compõem ramos secundários muito interessantes, que acabam, como dito, se encontrando num ramo final.

O julgamento de Seymor, o psiquiatra abusador, é outra história que nos prende, revolta, mas mostra a natureza do psicopata, mesmo que vestindo o avental de médico, investido de toda autoridade de "cuidador da saúde mental", que lhe dá, muitas vezes, o poder de prender e soltar, por meio das internações.

Um livro delicioso, a ser saboreado com atenção, com lições memoráveis sobre o ser humano e sua natureza.