terça-feira, 1 de setembro de 2015

Resenha: O Combate Sexual da Juventude: Wilhelm Reich


Título: O Combate Sexual da Juventude
Autor: Wilhelm Reich
Editora: Edições Epopéia
Ano: 1986
Páginas: 157


Sinopse e Crítica: Este livro na verdade trata-se de um grande manifesto do psiquiatra alemão Wilhelm Reich em prol da liberdade de exercício da sexualidade por parte da juventude.

Escrito nos anos em que Reich ainda militava no Partido Comunista Alemão, antes da ascensão do nazismo, a tese principal defendida por ele é que a repressão sexual da sociedade capitalista traz, no seu bojo, uma série de neuroses e deformações de caráter que poderiam ser resolvidas com uma vida afetivo/sexual feliz e resolvida, isso desde o momento que os jovens atingem a maturidade sexual.

Claro que na época em que o livro foi escrito a repressão e o moralismo nem se comparavam ao que existe hoje, principalmente porque passamos pela revolução sexual dos anos 60. No entanto, o fato de ainda vivermos sob o capitalismo certamente ainda impinge, não só aos jovens, mas à toda sociedade, vários tipos de repressão, mesmo que mascaradas. Trata-se particularmente das diferentes formas de machismo, da utilização do corpo (mulher ou homem) como mercadoria de prazer, a própria pornografia, a homofobia, etc.

O livro começa com uma discussão sobre reprodução, numa época em que os meios anticoncepcionais ainda estavam somente surgindo, bem como um parágrafo sobre o aborto. Logo em seguida ele discute o que chama de "Tensão Sexual e Satisfação", onde discute a masturbação juvenil, a repressão ou "exigências de continência", e o ato sexual em si.

Há um capítulo sobre homossexualidade em que Reich, infelizmente, reproduz uma posição ainda freudiana clássica, mas que já tem uma pequena abertura para a aceitação do fenômeno. Afirma ele: "Mas seria absolutamente errôneo tirar desses fatos a conclusão de que é preciso desprezar ou combater os homossexuais. É da mesma maneira, absolutamente injusto condenar a homossexualidade como um 'comportamento não-proletário', porque se têm preconceitos inconscientes da moralidade burguesa. Enquanto a educação sexual tornar os homens homossexuais, isso não dirá respeito a ninguém, se estes organizam assim sua vida, sem prejudicar a ninguém e se portam bem nela" (p. 74). 

Para a época, e mesmo entre psicanalistas, muito influenciados por
ideias homofóbicas - ainda que não seja um posicionamento atual - é uma postura bastante progressista. Falamos de um momento em que não havia nenhuma organização LGBT ou qualquer coisa do gênero, sequer a palavra "homofobia", bem como a homossexualidade era tratada como "homossexualismo", isto é, uma patologia a ser tratada.

Os outros capítulos do livro tratam das relações, que Reich chama de "relações de camaradagem", entre os jovens militantes do partido e entidades estudantis. Ele defende que entre estes haja abertura para relações sexuais plenas, mas que isso sempre envolva o respeito ao outro, o afeto, nunca o "uso" como um objeto, o que seria uma variante da prostituição.

Trata-se de um pequeno brochura que precisa ser lido por todo aquele que está interessado na questão da juventude, ontem e hoje. Como este blog tem, entre outras finalidades, discutir livros jovens, livros e temáticas LGBTs, acreditei importante trazer a baila este que foi um dos livros que mais marcou minha caminhada.

A editora "Centelha Cultural" editou uma versão comentada de "O Combate Sexual da Juventude", há venda na livraria "Expressão Popular" (https://www.expressaopopular.com.br), ou ainda pode ser encontrado na Estante Virtual.