sábado, 5 de setembro de 2015

Resenha - Invisível, David Levithan e Andrea Cremer





Título: Invisível
Autor(es): David Levithan e Andrea Cremer
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Páginas: 318
Tipo: Brochura

Sinopse: o livro narra as "aventuras e desventuras" de Stephen, um jovem de 16 anos que, literalmente, é invisível. Isso até o encontro com Elizabeth, uma garota com a mesma idade, que é a única pessoa que é capaz de enxergá-lo. Isso se dá num encontro insólito entre os dois, quando Liza está trazendo parte de sua mudança para o mesmo prédio onde Stephen mora, e pede sua ajuda. É nesse momento que o rapaz percebe que ela é uma pessoa que pode vê-lo (coisa que nem ele mesmo consegue). 
O irmão de Liza, Laurie, é gay - o toque de Levithan à novela - e sofreu uma violenta agressão homofóbica em Minnesota, sua cidade de origem. O drama familiar dos dois vem do fato de que o pai de Liza e Laurie não só não apoiou o filho como deu "certa razão" aos agressores (que causaram sérias lesões ao rapaz), fato que levou ao divórcio, com a mãe levando os filhos para morar em Nova Iorque, onde vive Stephen. E lá, como dito, se dá o encontro, amores e desencontros que compõem a trama.




Andrea Cremer e David Levithan

Crítica: a grande questão do livro é a verossimilhança da invisibilidade de Stephen. De um ponto de vista ela pode ser interpretada como "literal", o que dá ao livro um caráter mais "juvenil", ou uma espécie de Harry Potter, com o desenrolar da história. No entanto, podemos certamente fazer uma interpretação de metáfora; a invisibilidade do protagonista é a questão da "diferença", bem como de outro tema muito presente na obra: a solidão. Stephen é, essencialmente, um jovem solitário, uma vez que ninguém o vê. Sua mãe é morta e seu pai - que também não o enxerga - só o sustenta e não mantém nenhum convívio com o adolescente.
Essa metáfora é extremamente interessante e muito bem explorada pela dupla de autores. Há ainda a questão de que os capítulos são intercalados com o narrador/personagem em mudança: um é narrado por Stephen e o outro do ponto de vista de Elizabeth. Não é dito em nenhuma parte do livro se os autores fizeram uma "dobradinha", um escrevendo o personagem feminino e o outro o masculino, como foi o caso de Will & Will.
A escrita de ambos é extremamente leve e encantadora. A trama nos "traga" e "prende" a leitura em capítulos curtos que deixam um final com "gostinho de quero mais". Um grande livro para todas as idades.

"A solidão vem da ideia de que você pode estar envolvido no mundo, mas não está. Ser invisível é ser solitário sem o potencial de ser outra coisa além de solitário. Por isso, depois de um tempo, você se retira do mundo. É como se estivesse num teatro, sozinho na platéia, e tudo mais estivesse acontecendo no palco"

"Quanto mais velha você fica, mais sábia é: isso é verdade. Mas também questiona qual o uso dessa sabedoria"

"Você sabe, não é, que maldições nunca podem matar alguém diretamente? Por esse motivo são maldições: você tem que conviver com elas, em agonia, por um longo tempo..."


Abaixo o vídeo de Daniel Destro, que tem um excelente canal no YouTube, com seus comentários sobre Invisível.