sábado, 12 de setembro de 2015

Autores Gaúchos (II): Amaro Juvenal (Ramiro Barcellos) - ANTÔNIO CHIMANGO e outros textos


Título: Antônio Chimango e outros textos
Editora: Artes e Ofícios (Porto Alegre)
Ano: 2000
Páginas: 143
Formato: Brochura





Sinopse e crítica: Ramiro Barcellos foi um dos expoentes da política riograndense. Nome de uma das principais ruas de Porto Alegre, Ramiro foi deputado e senador pelo RS. Idealizador da moeda "cruzeiro", que foi utilizada durante anos no país. Ramiro Barcellos era médico de profissão; no ensaio de Luís Augusto Fischer - professor universitário, linguista e letrista gaúcho, autor do originalíssimo "Dicionário de Porto-alegrês" - temos uma ideia da vida desta destacada personalidade dos pampas, dentro do seu contexto histórico e político. Amaro Juvenal não passa de um dos pseudônimos literários de Ramiro, o qual usava especialmente para seus "chistes" literários contra seus adversários e desafetos.

Por sua vez, Borges de Medeiros foi um dos homens mais poderosos do Rio Grande. Exerceu por quase trinta anos, de forma semi absolutista, o cargo de "presidente do estado" do RS, sendo assim chamado - não por acaso - durante a República Velha, os atuais governadores. Ramiro e Borges eram adversários políticos irreconciliáveis e inimigos pessoais. Para Ramiro, Borges - que foi o sucessor de Julio de Castilhos, expoente do "positivismo" no sul do Brasil - era um homem patético e de poucas luzes, particularmente próprias.

Antônio Chimango é um poema satírico que gira envolta da vida de Borges desde sua pseudo infância até sua controversa vida política. Tudo indica que a origem do poema é a obstaculização, por parte de Borges, de uma das candidaturas de Ramiro ao Senado, o que lhe causou profunda revolta; com raiva na pena, produziu Antônio Chimango, ironizando - literalmente avacalhando - a vida do presidente do RS.

Trata-se de um poema tecnicamente dito que composto em heptassílabos, versos com seis estrofes, em linguajar "gauchesco" (regional), com muitas palavras escolhidas a dedo, tiradas do vocabulário popular do povo simples do interior riograndense. 

O "modelo" utilizado por Ramiro para compôr Antônio Chimango foi o "épico do gaúcho", o argentino Martín Fierro, uma obra clássica, de mesma estrutura, que conta a história de um personagem que serve de paradigma sobre a formação e história deste "tipo" sul americano que é o gaúcho. Ainda que mais pobre e menos universal que Martín Fierro, Antônio Chimango ganhou notoriedade na literatura brasileira.

É um livro engraçadíssimo, com certeza. A fina ironia e o deboche de Amaro Juvenal nos cativam, e as vezes nos levam às lágrimas do riso, principalmente para os "iniciados" em seu linguajar popular, por vezes quase "chulo".

Os textos acrescidos a esta edição trazem temas diversos, a maioria sobre a História do Rio Grande. Ramiro fala sobre a Revolução Farroupilha, sobre o positivismo (a "ideologia" de Borges e Castilhos), sobre a bandeira tricolor gaúcha, entre outros temas.

Por fim, nunca é demais relembrar que foi do ninho de Borges de Medeiros - ainda que medíocre - nasceu o principal, até hoje, de todos os presidentes do Brasil: Getúlio Dornelles Vargas.