sábado, 22 de agosto de 2015

Resenha filme: Tomboy

A expressão "Tomboy" - que em alguns lugares do Brasil pode ser traduzida por "maria-rapaz" ou "maria-homem" - designa pessoas
do sexo feminino que tem hábitos, trejeitos ou maneirismos masculinos, ou ainda que gostam de "brincadeiras de rapazes", ou que se vestem de forma masculinizada.
A sexualidade humana - no caso uma questão de "gênero" para ser mais preciso - é um grande caleidoscópio de formas e cores, o que o fenômeno "tomboy" só vem a confirmar. São gays? São transexuais? Particularmente eu não tenho a resposta.
Como disse Natasha Pergher, no seu blog "Pitanga Digital", num excelente artigo sobre o filme, intitulado "Tomboy: uma reflexão sobre comportamento, sexualidade e cárater", "Tomboy é amargo em suas verdades e doce em suas lições". Nada mais verdadeiro.
O filme francês conta a história de uma menina de dez anos, chamada Laure (Zoé Héran), que se junta a turma de crianças de um condomínio dos subúrbios de Paris, surpreendentemente, identificando-se como menino, "Mickael".

Parafraseando o mesmo texto do blog citado, o filme demonstra que sexualidade e comportamento não são a mesma coisa, muito menos indicatores de "mau ou caráter". Laure é uma menina extremamente afetuosa em casa, com os pais (que são amorosos mas parecem um pouco ausentes, e o filme dá a entender que eles mudam de residência de forma muito constante, o que faz com que Laure tenha que se "enturmar" sempre com novos grupos de crianças) e principalmente com a irmã menor, Jeanne (Malon Levana).
É esta pequena menina quem, muitas vezes, rouba a cena do filme. Sem querer parecer afetado, ela é realmente "uma graça", particularmente numa cena em que improvisa uma dança enquanto Laure toca aleatoriamente notas num piano de brinquedo. As duas tomam banhos juntas, brincam e têm uma amizade cativante, carinhosa e rara entre irmãos. Ainda, Jeanne parece ser a pessoa
mais equilibrada da família pois, quando quer também brincar com as crianças do condomínio - que fazem a maior bagunça numa "guerra d'água" -ela mantém o "segredo" da irmã, sem expô-la ao ridículo e humilhação.
Tomboy fez a mim - que me considero uma pessoa super mente aberta em termos de preconceitos -ficar muito pensativo em relação à questão aberta pelo filme (colocando-me no lugar dos pais); o que fazer num caso desses?? Tolerar uma "falsa" identidade da criança, fazê-la "mudar", ou o que?? Confesso que até agora não encontrei respostas.
Por fim, gostaria de citar de novo o blog Pitanga Digital:
 parece que esta é uma ideia absolutamente sacramentada na nossa sociedade: “óbvio que sexualidade não é caráter”. Muitas pessoas como eu, ou como você, realmente acreditam nisso. No entanto, muita, mas muita gente também acredita que lésbicas, gays, bissexuais, transexuais – ou seja, todos aqueles cuja sexualidade não segue uma heteronormatividade monogâmica – não são pessoas normais e, por isso, não merecem nosso respeito. Ora, será que essa é uma ideia tão cimentada assim se, em pleno século XXI, ainda vemos membros dos movimentos LGBT serem oprimidos física e psicologicamente por aí? Clichê or not clichê, vale ressaltar essa segunda lição do filme: sexualidade não é caráter. (Pitanga Digital)

Lançamento (1h22min
Dirigido por
ComZoé HéranMalonn LévanaJeanne Disson mais
GêneroDrama