quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O Homem que Amava os Cachorros

Leonardo Padura Fuentes nasceu em Havana, Cuba, em 1955. É escritor mas ao mesmo tempo dedica-se a inúmeras atividades culturais, como teatro, cinema e críticas literárias em jornais e revistas. Ele ficou famoso por ser um novelista do gênero romance policial, com seu famoso personagem Mario Conde, presente em quase todos seus livros.
Entretanto, Padura adquiriu grande sucesso internacional com a publicação do livro El hombre que amaba a los perros (O Homem que amava os cachorros), publicado em português no Brasil pela editora Boitempo.

Este romance foi um sucesso estrondoso. Baseado num fato real - o assassinato do revolucionário russo Leon Trótsky a mando do ditador soviético Stálin - Padura "romanceia" a trama de forma brilhante, transformando o livro num verdadeiro thriller policial, em que cada página deixa um "gostinho de quero mais" sobre o final, mesmo que já o conhecemos (afinal sabemos que Trotsky foi assassinado e por quem!).

O livro se desenvolve em três dimensões aparentemente separadas que vão se unindo com o transcorrer da história. Uma é a vida de Trotsky no exílio (Trotsky foi inimigo de Stálin e acabou sendo execrado na URSS, tendo que abandonar o país, perdendo a cidadania soviética e vagando pelo mundo atrás de um lugar que lhe desse exílio, pois como revolucionário comunista nenhum país o queria), seu cotidiano, suas reflexões e sua tristeza de ser um proscrito no país que ajudou a criar.
 
A segunda é a vida de Ramón Mercader, o assassino de Trotsky, desde sua juventude, quando lutou na Guerra Civil Espanhola, até seu meticuloso treinamento pelos stalinistas para o cumprimento da "missão" de assassinar o "inimigo da URSS". Ramon assume a identidade de Jacques Monard, um playboy belga, aparentemente sem interesses políticos, com a finalidade de infiltrar-se nos meios trotskistas e matar Trotsky.

Nesta segunda parte, uma das personagens que mais se destacam, pela hilariedade e excentricidade é Caridad, mãe de Ramon. Caridad - pelo menos na minha opinião - é absolutamente louca. Inicia-se no movimento revolucionário entre anarquistas e comete todo tipo de insanidades - ainda com os filhos pequenos e casada - como porres homéricos, uso de drogas e festas sem fim. Acaba se envolvendo com um stalinista e vira uma comunista leal a Stálin de uma forma completamente fanática.

O terceiro ato é a história de um escritor frustrado em Havana, também apaixonado por cães, principalmente galgos russos, os
"borzóis", e encontra, na praia, um senhor idoso e doente que possui um casal destes. Os dois travam conversas muito curiosas (só lendo o livro para saber). A vida em Cuba é narrada com serenidade pela via deste personagem, desmistificando algumas lendas do "inferno cubano".

É um livro indispensável, um verdadeiro "vira página".

Abaixo, o vídeo da entrevista de Leonardo Padura no programa Roda Viva:



Deixo também aqui o link do "Blog Convergência", que tem uma excelente resenha do mesmo livro:
http://blogconvergencia.org/?p=1897