quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resenha: Quem é Você Alasca? (John Green)

Looking for Alaska (no Brasil, Quem é Você, Alasca?) é o primeiro romance escrito por John Green, publicada em março de 2005 por Dutton Juvenile. Ele ganhou o Prêmio Michael L. Printz de 2006 da American Library Association. Durante a semana de 29 de julho de 2012, esta obra ficou em 10º na lista de best-sellers do New York Times, 385 semanas depois de ser lançado.
No Brasil, em 2015, pela Editora Intrínseca, o livro ganhou uma edição comemorativa de 10 anos de lançamento, contendo uma nova apresentação do autor, respostas de John Green a perguntas dos leitores e fãs feitas pela internet, cenas cortadas da edição original e detalhes do processo de edição do romance.
Certamente, na minha opinião, "Quem é você Alasca?" é disparado o melhor livro de John Green. Como outros livros, ele ganhou a fama de "teen", mas o próprio autor, a referir-se a uma polêmica pelo fato de professores do ensino médio estavam recomendando sua leitura a seus alunos (e ele contém narrativas de cigarros, álcool e sexo), Green afirmou que nunca teve a intenção de escrever Alasca para adolescentes, sendo uma leitura adulta, apesar da história transcorrer num colégio interno de ensino médio.

Resenha

O personagem principal da obra é um adolescente chamado Miles Halter. Como a maioria dos personagens de Green, ele é uma espécie de "nerd" com problemas de socialização, mas muitíssimo inteligente e sagaz. Miles decide matricular-se num colégio interno no Alabama, ficando longe da família. Lá ele faz amizade com Alasca, "Coronel" e Takumi, que formam sua "turma". 
Miles tem a excêntrica mania de decorar as últimas palavras de moribundos que lê em biografias, seu maior hobby. Ele acaba enlouquecidamente apaixonado por Alasca, uma garota linda com esse nome estranho.
O livro tem um suspense enorme - que não vou revelar pois resenha não tem spoiler - e tem uma divisão entre "antes e depois" de um acontecimento chave, muito criativa. 
Uma das coisas que o livro trata é o amor não correspondido, algo que quase todos nós vivemos, particularmente na adolescência. Miles fica verdadeiramente doente de paixão por Alasca mas sabe que não tem chance. Sua dor é colossal, mas mesmo assim o "estar apaixonado" lhe dá um certo prazer mórbido. Familiar não?
Como dito, Alasca tem uma estrutura extremamente criativa. O livro é dividido em duas partes: "antes" e "depois". Mas antes e depois do que? Isso você vai descobrir lendo o livro. Mas esta divisão causa uma expectativa incrível no leitor, pois ficamos super curiosos para saber o porquê desta divisão do tempo. Imaginamos mil coisas menos o que realmente acontece.
Green chegou a fazer mapas em calendários da vida dos personagens, o que está na edição comemorativa (que você tem que comprar!!), para que tudo se ajustasse cronologicamente de forma perfeita.
Os personagens são extremamente irreverentes, particularmente o carismático "Coronel" (todos tem apelidos, menos Alasca, que já tem um nome estranho pra caramba!).
A trama se desenrola num colégio interno de ensino médio onde, como todo grupo de adolescentes, é dividido em várias "tribos": os "guerreiros de segunda a sexta", que são os playboys que moram em Birminghan, cidade do estado americano do Alabama, na qual fazem verões terrivelmente quentes e invernos gelados, os "nerds", os "emos", os "góticos" ...
Miles, Chip Martin (o "Coronel"), Alasca e os outros estudam no internato Culver Creek, que é estranhamente "misto", isto é, admite alunos de ambos os sexos. Isso, obviamente, dá vazão a amores, paixões e, também, sexo, o que é terminantemente proibido pelo regulamento da escola, governada pelo disciplinador "Águia", apelido do Sr. Starnes, o reitor, que sofre trotes de todos os tipos.
Alasca tem milhares de livros, mas tem um preferido: O general em seu labirinto, do famoso colombiano Gabriel Garcia Marques (um gênio!) {este livro também será resenhado aqui}, que trata da vida de Simon Bolívar, cujas últimas palavras foram "Como vou sair desse labirinto". Para Alasca, o labirinto é o dilema do sofrimento humano, questão que permeia todo o romance.