domingo, 23 de agosto de 2015

Após 10 anos, John Green responde perguntas sobre "Alasca"'

Cuidado: este post contém revelações sobre o enredo de "Quem é você Alasca?" (spoilers)


Por que o nome Alasca?

J.G.: A ideia me ocorreu pela primeira vez pouco depois que assisti o filme Os excêntricos Tenenbaums, que tem na trilha sonora um cover da música "Stephanie Says", do Velvet Underground. Há trecho dessa música que diz: "She's not afraid to die/The people all call her Alaska" (Ela não tem medo de morrer / Todo mundo a chama de Alasca).
Adorei o nome Alasca por ser grandioso, ter um ar de mistério e distante; é um estado americano, mas distante, de uma forma que a própria Alasca se torna "distante e misteriosa" aos olhos dos colegas.
Além disso, a tradução de "Alasca" é "aquele contra o qual o mar arrebenta", e acredito que essa é a imagem que a personagem tem de si mesma.


Você gosta de Alasca como pessoa?


J.G.: Eu a amo! Sempre meio que preferi pessoas que não são totalmente adoráveis.


Alasca tinha que morrer?

J.G.: A morte é algo como um afastamento num sentido repugnante. Mas também é absolutamente comum. (Acabo de recordar de uma manchete no site Onion: "Apesar dos esforços, taxa de mortalidade no mundo se mantém estável em cem por cento). Para mim, Looking for Alaska é sobre a perda e o luto, e sobre a luta contra o total desespero que muitos de nós sentem quando se deparam com a morte. Então, tinha que ser assim, porque esta era a história que estava na minha cabeça quando resolvi escreve-la. Escrevi cada palavra da primeira parte já consciente do que aconteceria na segunda, por isso nunca consegui pensar em outro final. Se os personagens tivessem seguido normalmente suas vidas, se divertindo, o livro teria sido sobre exatamente ... o quê?


Miles e Chip deveriam se sentir culpados pela morte de Alasca?

J.G.: Sim.
Mas é possível sentir culpa e, ao mesmo tempo, ter outros sentimentos, e para mim há muita esperança nisso. Ainda sinto tristeza pelas coisas tristes que ocorreram comigo; ainda sinto culpa pelo que fiz ou deixei de fazer.; mas sinto também outras coisas - alegria, tolerância com os erros alheios e amor, e por aí vai - que só sinto porque não desisti.

Bujão (Miles) afirma: "adolescentes se acham invencíveis". Você achava isso na sua adolescência? E acredita nisso agora que é adulto?

J.G.: Quando adolescente eu sabia que podia morrer, e isso me assustava um pouco, mas eu não acreditava que morrer fosse capaz de afetar minha capacidade de ser "invencível", se é que isso faz algum sentido. É mais ou menos o que Cassius Clay (Muhammad Ali) disse depois de sua terceira luta contra Joe Frazier; depois da luta, Ali venceu, mas ele disse que, em alguns momentos, pensou que Frazier iria matá-lo. Ali disse: "Se ele tivesse me matado, eu teria levantado e ganhado a luta! Teria sido o primeiro campeão de boxe peso-pesado morto."
Eu me sentia assim quando adolescente. Agora me sinto frágil. Ainda acho que as pessoas são invencíveis, mas prefiro não tentar descobrir.