quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ensaios de Amor - Alain de Botton

ALAIN DE BOTTON: filosofia do amor para leigos (ou nem tanto...)

O jornal britânico The Independent fez o seguinte comentário sobre os escritos "filosóficos" de Alain de Botton:
"De uma maneira única, fez a filosofia retomar seu mais simples e importante propósito: nos ajudar a viver nossas vidas"
É exatamente isso que, de forma genial, Botton concretiza em suas obras. Botton (20 de dezembro de 1969 em Zurique, Suíça) é um escritor e produtor residente em Londres, que, como dito, ficou célebre por popularizar a filosofia e seu uso na vida quotidiana.
Li várias obras de Botton, como "Os consolos da filosofia" (um livro de aplicação prática de ensinamentos de grandes filósofos, sobre coisas como "o que é o prazer", "não se leve tão a série" e "como sobreviver a amores frustrados", este último capítulo baseado em Schopenhauer), "Religião para ateus" e "A arte de viajar".
Mas disparado, "Ensaios de Amor" é o meu favorito. O livro é uma mistura de um fato - supostamente real - em que Botton é um dos personagens. Ele encontra, em um avião que faz a ponte aérea Paris - Londres, Chloe, pela qual fica TERRIVELMENTE apaixonado. Ao longo da obra, Botton vai narrando a relação dos dois - que chegam a morar juntos, com reflexões maravilhosas sobre a natureza do "amor".
Na verdade o livro deveria chamar-se "Ensaios sobre a paixão" (apesar do título original seja Essays in Love), porque, essencialmente, o que Botton sente por Chloe não tem nada a ver com amor, e sim com PAIXÃO.
A paixão é um sentimento complemente diferente do amor, como todos nós sabemos. É um sentimento embriagante, fantástico, que nos deixa "super bem", idealizando completamente a pessoa pela qual nos apaixonamos, que fica absolutamente perfeita.
O livro é maravilhoso pois, pelo seu intercalamento de reflexões e narrativas, acompanhamos o drama de Botton-Chloe e aprendemos muito sobre este sentimento excepcional, do qual, vez ou outra, somos atingidos. É um livro dirigido, portanto, todos, pois todos nós nos apaixonamos; podemos ler estando ou não apaixonados, saindo de um relacionamento ou no meio dele.