segunda-feira, 17 de julho de 2017

Programa Escola Sem Partido e os “Aparelhos Ideológicos de Estado

Autores:Por Rogério Avila Jean Souza

 De antemão, é preciso estabelecer a premissa de ausência de neutralidade. Essa ausência é condição sine qua non para a existência do pensamento humano. Em qualquer área de pensamento! Daí que temos o espírito fantasioso (e falacioso) do Projeto “Escola sem Partido” ou, ainda, “Escola sem Ideologia”. Sendo assim, temos claro que o projeto em questão é, acima de tudo, um projeto ideológico de dominação. Nesse sentido, afirma Althusser: (…) a escola (mas também outras instituições do estado como a Igreja e outros aparelhos como o Exército) ensina o “Know-how” mas sob formas que asseguram a submissão à ideologia dominante ou o domínio de sua “prática” (1985, p.58).





 Para o autor, a ideologia não se configura nem como um ideal, nem como ocultação ou distorção da realidade, mas como um mecanismo sem história e sem fim que estrutura a vida dos sujeitos, ou seja, que torna todo indivíduo sujeito a partir de um lugar pré-determinado na estrutura social. Esse mecanismo não se confunde com as ideologias particulares, estas que se encontram em constante embate em uma dada formação social. Esse embate é sempre dissimétrico, isto é, as ideologias advindas da luta de classes nunca têm a mesma força. Em outras palavras, há sempre uma ideologia dominante que, no caso do atual sistema de produção, o capitalista, é a ideologia burguesa. Os aparelhos ideológicos de estado, na acepção de Althusser, funcionam de forma a reproduzir a ideologia dominante e as relações de produção. Nesse sentido, pode-se dizer que a ideologia dominante apresenta-se para o sujeito como uma verdade que, como tal, é neutra. Essa aparência de neutralidade e objetividade garante a livre (e inconsciente) submissão dos sujeitos. Para o autor, a escola é o principal dos aparelhos ideológicos, pois forma a mão de obra necessária para a manutenção das relações dissimétricas de produção entre patrões e empregados, garantindo, assim, a mais-valia. Quem serão os novos médicos, engenheiros, advogados, juízes e professores das futuras sociedades? Qual “ser pensante” será “produzido” pela Escola? Quais serão as forças produtivas que deverão sair das salas de aula? Aptas a quais fazeres e pensares? Se se imaginar que o estudante sai de casa “pronto”, bastariam depósitos “lúdicos” e “instrumentalizadores” (como segurar um martelo, como usar um esquadro, como manejar um bisturi…). No entanto, é sabido que a família não é um organismo satisfatório de reprodução de força produtiva, a Escola é! Sabedores dessa realidade (não se reproduz forças produtivas satisfatórias às diversas demandas do capitalismo dentro de casa), é obrigatório (mais que necessário) que haja um instrumento capaz dessa tarefa indispensável ao capitalismo. Os detentores do Capital não são ingênuos. Não desenvolvem projetos que visem apenas diretamente ao acúmulo de riquezas. É necessário mais que isso. É preciso garantir que essas riquezas se auto-reproduzam. É preciso garantir a manutenção da produção de mais-valia. E, para isso, além da propriedade privada dos meios de produção, é necessário que as forças produtivas estejam “afinadas” com o Capital. O projeto em questão vem daquilo que é mais perverso na ideologia dominante, o fato de que todos os papéis sociais são pré-determinados antes mesmo do nascimento na formação social. A escola em questão, desde as séries iniciais, vai formar o sujeito para a tarefa a ele destinada e, mais do que isso, vai fazê-lo acreditar que não há para si outra tarefa possível. Baseado na aparência de neutralidade que a ideologia dominante assume, esse projeto faz crer que existe uma verdade única e que o professor deve “transmiti-la” aos estudantes que formarão a força de trabalho futura. Dessa forma, os aparelhos ideológicos, em especial a escola, vão desempenhar o papel de “domesticar” o proletariado, fazendo com que não somente aceite seu papel de submissão, mas com que acredite que é a única forma possível e justa de existência. A dominação é tão eficiente no apagamento das relações de submissão, que o proletariado sequer se vê pertencendo a uma classe e, muito menos, a uma classe dominada.



 O projeto “Escola sem Partido” atribui à ideologia um caráter subversivo, enquanto que ideologia aqui sejam os “ideais de esquerda”, novamente devemos deixar claro que, na concepção do projeto, diz-se falaciosamente que o processo transmitidor de técnicas e capacidades voltadas à produção laboral não é ideológico. Ou seja, somente será ideológico se for de esquerda. Se assim não for, ele é neutro. A escola é o maior aparelho ideológico de Estado, na concepção de Althusser. O Estado, hoje, é burguês. Logo, a escola já reproduz sistematicamente a ideologia dominante. O que o Projeto Escola sem Partido propõe é que nem essa constatação seja possível. Que sejam, quaisquer tipos de contestação à ordem vigente do Estado Burguês, uma subversão. Portanto, criminaliza-se aqui o próprio questionamento de um Estado Burguês ideologicamente dominante. ALTHUSSER, Louis, Aparelhos Ideológicos de Estado: notas sobre os aparelhos ideológicos de Estado. Trad. Walter José Evangelista e Maria Laura Viveiros de Castro. 10ª ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985. ** Graduandos do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pelotas

terça-feira, 6 de junho de 2017

Resenha: Manual Russo de Finais (The Russian Endgame Handbook) de Ilya Rabinovich

Título: The Russian Endgame Handbook
Autor: Ilya Rabinovich
Editora: Mongoose Press (EUA)
Formato: capa dura
Páginas: 523




Um antigo ditado soviético dizia que os enxadristas amadores do Ocidente "jogavam aberturas como grandes mestres, meio-jogo como experts e finais como iniciantes". Isso vem daquilo que já foi tratado em outro post neste blog, de que a escola soviética de xadrez - a mais vitoriosa de todos os tempos - sempre tinha como método de estudo do jogo iniciar não com aberturas, mas com o domínio dos finais.

Jogadores soviéticos treinados  conduziam sem medo o jogo para o final, confiantes na sua habilidade superior. Este livro se conduz rigorosamente nesta linha.

Rabinovich conduz a um novo entendimento dos finais de jogo com um sofisticado nível, iniciando com os xeque-mates elementares e daí para patamares mais complexos. 

Trata-se de uma obra tanto para veteranos como para iniciantes. Infelizmente não temos tradução em português. Seus inúmeros diagramas nos ajudam a entender tudo que se explica.

O que é importante saber é que para cada final de xadrez, em especial os com poucas peças, o jogador em vantagem tem que apenas seguir uma técnica. O final pretas com um rei brancas com o rei e torre é infalível para as brancas, se não houver um erro crasso, o que levará ao empate, que é uma derrota moral.




O estudo do xadrez por principiantes deve, paradoxalmente, começar pelos finais.  Isso porque os iniciantes cometem tantos erros que quase invariavelmente chegam ao fim do jogo com poucas peças. Aquele que  tiver o domínio do final para levar ao mate será o vencedor. Além disso, no meio jogo surgem situações estudadas no final, e que quando bem jogadas decidem a partida.


sábado, 3 de junho de 2017

Relato de viagem - Patagônia Argentina

No início do mês de maio passei 12 dias na Argentina, conhecendo a Patagônia, ao sul (Terra do Fogo e província de Santa Cruz). Gostaria de partilhar no blog minhas experiências nessa aventura maravilhosa no país vizinho.

A primeira coisa que se destaca é a natureza de clima sub polar e temperado. Temos em nosso continente uma exuberante paisagem nevada que nada perde para a Europa. Ushuaia, capital da Terra do Fogo, é cercada de montes com neves eternas, lindíssimos. Quando chegamos lá o dia estava tremendamente chuvoso e nublado e não vimos nada. Na manhã seguinte, ao raiar do sol, me deslumbrei com todas aquelas montanhas de origem vulcânica, com seus picos cobertos de neve, rodeando toda a cidade.



Ushuaia é uma cidade simples, com aproximadamente 58 mil habitantes. Foi transformada em zona franca, com incentivos fiscais, a fim de industrializar e povoar a região, de clima inóspito. No passado, a tentativa de colonização da Terra do Fogo foi com a instalação de presídios, o que acabou fracassando. Infelizmente, o atual governo neoliberal de Macri retirou muitas das medidas protecionistas da indústria e comércia da região, aumentando o desemprego exponencialmente.



Ushuaia é a região mais austral do planeta, descontando a Antartida, que fica a menos de mil km. Neva o ano todo, visto que nuvens carregadas de neve vem de frentes polares da Antartida e, mesmo com temperaturas acima de 0º neva abundantemente na região. Com 40 anos nunca havia visto neve na vida e tive o privilégio de ver uma nevasca que deixou tudo branquinho nos montes de Ushuaia.



Existem diversas opções turísticas na cidade. Passeios de Catamarã no Canal Beagle, que separa a Terra do Fogo do pólo sul, onde se observa a fauna característica, com pinguins, leões marinhos e aves nativas.

Outro destino foi uma cidade da província de Santa Cruz, chamada El Calafate. O nome provém de uma fruta típica da Patagônia, que tem uma cor rosada e um sabor parecido com morango ou framboesa. A atração da cidade são os chamados "glaciares" (geleiras), que são quase montanhas de gelo que se formam a partir do acúmulo de neve no topo das montanhas, desce e se comprime, formando gelo maciço. São gigantescos. O Glaciar Perito Moreno, no parque nacional, tem o tamanho da cidade de Buenos Aires, e mesmo assim não é o maior de todos. O maior é o glaciar Upsala, batizado em homenagem a universidade norueguesa que primeiro estudou as geleiras. O passeio é de navio, pois as geleiras se encontram com lagos gigantes, como o lago Argentino, e ficamos bem próximo deles. É algo incrível.

Com muito menos investimento com viagens à Europa podemos ter experiências com um clima totalmente diferente do Brasil. Vale a pena.




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CAIXA DE PÁSSAROS: Não abra os olhos - de Josh Malerman


Título: Caixa de Pássaros
Autor: Josh Malerman (EUA)
Ano: 2014
Tradutora: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca
Páginas: 268


Josh Eliot




Sinceramente, só vou fazer a resenha deste livro porque me dei ao trabalho de lê-lo de capa a capa.

Mais que sinceramente, não gaste seu tempo e dinheiro lendo esta porcaria. Trata-se da obra de estréia de Josh Malerman, que é cantor e compositor da banda de rock "Hight Strung" (outra sinceridade é que nunca ouvi falar em tal banda).




Josh me parece, ou pouco habilidoso ou jovem demais para escrever suspenses de alta intensidade com fenômenos paranormais envolvidos. Você praticamente é obrigado a intuir tudo no livro (o que poderia ser encarado por certos intelectualóides como mérito). Os personagens - TODOS - são pessimamente construídos.


Fiquei seriamente decepcionado com o fato de que o livro foi muito bem recebido pela crítica, tanto na Grão-Bretanha quanto nos Estados Unidos. Diz a wikipedia:

A recepção crítica para a caixa de pássaro tem sido positiva e Malerman recebeu comparações com Stephen King e Jonathan Carroll . [3] [4] O AV Clube deu o livro uma classificação B, escrevendo "Malerman sobrealcança um pouco em sua estréia, o que poderia usar tanta atenção para o elenco como para o clima, mas o clima é assustadoramente eficaz. Lendo-se sente como aceitar um desafio de andar em um lugar estranho, olhos fechados, sem idéia de quem, ou o quê, pode ser chegando a fazer contato. " [5]



Um homem do gabarito literário no gênero como Stephen King, render algum tipo de elogio ao verdadeiro imbróglio com milhões de coisas sem sentido e que não levam a lugar nenhum. Sequer o livro é capaz de despertar uma reflexão do tipo "O Pequeno Príncipe".

Um conselho: fique longe do livro e do futuro filme.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Resenha: Como Eu Era Antes de Você e a continuação Depois de Você - Jojo Moyes

Títulos: Como eu era antes de Você e Depois de Você
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca (Rio de Janeiro)
Formato: Brochura (capa mole)
Número de páginas: 318 (ambos)
País de origem: Inglaterra.


A saga de Louise Clark, uma jovem de vinte e poucos anos - já chegando aos 30 - e Will Traynor está há semanas na lista dos mais vendidos de, por exemplo, da revista Veja. Um sucesso editorial absoluto. O primeiro livro já virou filme hollywoodiano de grande bilheteria. 




Trata-se, por evidente, de uma nem tanto açucarada comédia romântica, mas bem ao gosto do grande público. Os personagens são bem construídos, mostrando o cotidiano de uma família de trabalhadores da Inglaterra (no caso de Louise) e de uma abastada - mas disfuncional - família burguesa do mesmo país, a de Will Traynor. O personagem masculino protagonista da trama teve, até os 33 anos, uma carreira meteórica de sucesso no setor de investimentos em valores mobiliários, chegando a ser aquilo que a burguesia chama de "CEO" de uma grande empresa de capital rentista. Tido como astuto e ousado, admirado e invejado por todos, vivia uma vida repleta de satisfações de todos os gostos, entregando-se as sacrossantas instituições do capitalismo, como o edonismo, a acumulação de fortuna e uma sexualidade que nunca respeitou suas parceiras. Apesar de vir de uma família abastada, não deixava de ser um self made man britânico, conhecidíssimo na "City", a versão londrina de Wall Street. Will realmente aproveitava tudo que o dinheiro pode comprar, principalmente fazendo viagens a lugares exóticos, esquiando, andando a cavalo na China, esportes radicais, etc. Uma espécie de sorte absoluta e de paraíso na terra o acompanharam nestas três décadas.

Mas como afirma o budismo, tudo é impermanente, ou nas palavras de Marx no Manifesto, "tudo que é sólido se desmancha no ar". Num dia comum de sua rotina de "trabalho", chuvoso, ao atravessar uma das rua da City, como já tinha feito milhares de vezes, Will encontra um destino catastrófico: é atropelado por uma moto, acidente que o deixa tetraplégico, movimentando só a cabeça e um dos dedos das mãos. Para ele era o fim de tudo.

Aí Louise entra na história. Carismática - apesar de uma enorme timidez - ela consegue impôr uma empatia com o destroçado emocionalmente Will. Ele cobra dela que "viva com mais intensidade", pois Louise nunca tinha saído da pequena cidade turística a 100km de Londres, só para poucas vezes conhecer a capital. Mas um abismo social os separa e suas visões de mundo são completamente diferentes. Will não vê nenhuma esperança em poder conviver com sua nova situação; Louise, ao contrário, tenta desesperadamente injetar-lhe doses elevadíssimas de otimismo, para dar um pouco de brilho à sua limitada vida.

Ambos trocam muito suas experiências, pontos de vista sobre tudo: vida, arte, diversões e até amor. Não é adiantar o final ou estragar o livro, mas é óbvio que entre os dois personagens surge uma afeição fortíssima, mesmo que Will, por conta do acidente, tenha ficado permanentemente impotente.

São hilárias algumas tentativas frustradas de Louise a levar Will a "divertir-se", particularmente o episódio em que ela o leva para assistir uma corrida de cavalos, onde tudo sai errado. Por outro lado, Will leva Louise, pela primeira vez, a um concerto sinfônico, e esta fica estasiada com tudo que vê, sente e ouve.

No mais não posso contar o fim, mas infelizmente uma mensagem otimista não vinga. Isso contamina a continuação - que é bem inferior ao primeiro livro - na qual Louise tem que lidar com as sequelas do desaparecimento de Will, particularmente seu encontro com uma filha encapetada dele, feita nos tempos de universidade, a qual ele nunca conheceu. Louise e suas crises pessoais - bem como de sua família - também centralizam o romance, mostrando bem o cotidiano de uma comum família britânica.

Cabe aqui comentar algo de cunho muito pessoal. Depois de ler "Como eu era antes de você" resolvi ver o filme. Apesar de ser um profundo questionador do projeto de vida que o capital nos oferece, senti uma ponta de inveja de Will, acentuada pelo fato de que o ator que o interpretou ser um homem de muito boa aparência. Quando ele interroga Louise sobre o que ela faz para "dar sentido à sua vida" me senti atingido, questionando minha própria existência, e o fato de todos - ou quase todos - sermos prisioneiros de uma certa ou grande rotina claustrofóbica. Não consigui ir adiante na pelícola.




Entretanto creio que os livros levantam questões relevantes, como a discussão da distanásia e do direito do paciente dipôr de sua própria vida. São questões muito importantes. Não vejo como causalidade o sucesso desta dupla.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Xadrez da União Soviética




Cerca de dois mil anos atrás, a humanidade inventou um grande jogo hoje atrai milhões de pessoas em todo o planeta, e o honroso título de campeão do mundo neste esporte dá seu portador um status quase visível nos olhos do pessoas ao seu redor. Este é o xadrez.

Ele campeonatos lutar pela vitória no xadrez desde 1886 e pode dizer sem exagero que são os jogadores soviéticos e russos que contribuíram mais para o desenvolvimento do período moderno na história do xadrez.

História de xadrez

Ela existe no mundo uma quantidade infinita de pressupostos e lendas sobre a origem do xadrez, mas os especialistas concordam que era um matemático indiano que inventou o mais famoso de todos os tempos mais de vinte séculos jogo e chamou-lhe "chaturanga "que, traduzido do sânscrito, significa" quatro tipos de exércitos "carros, elefantes, cavalaria e infantaria. O jogo começou a se espalhar rapidamente em todo o mundo, da Índia chegou à Pérsia e depois do Império Persa foi conquistada pelos árabes, os conquistadores trouxeram xadrez para Espanha. Pouco depois, o xadrez paixão agarrou Europa. 




O jogo cativou todos, desde reis para as pessoas comuns, que também é explicado como barato que foram peças de xadrez, que à primeira foram feitas de argila.

O nome moderno do jogo, "xadrez", estendeu a mão sobre o espanhol árabe, que o levou a Pahlavi (persa), que por sua vez tinha tomado o sânscrito "Chaturanga". O termo "xeque-mate" vem do persa "Shah MATA", que significa literalmente "o rei está preso , " uma frase que reflete o objetivo final do jogo e dá origem a a palavra russa para o xadrez shájmaty

Desde o final do século XVI começou a todos os tipos de torneios realizados em países europeus. O primeiro jogo internacional da história do xadrez é considerado o encontro entre os espanhóis Ruy Lopez e Alfonso Cerón e italiano Giovanni Leonardo e Paolo Boi realizada em 1575 e terminou com a vitória dos jogadores italianos.

Na Rússia este jogo veio do Leste ao longo das rotas comerciais através Khazaria, e durante a época de Pedro I já jogou xadrez em todo o país.

primeiros campeões

No século XIX, os principais torneios internacionais começou a ser realizada em diferentes cidades ao redor do mundo, e em 1886 nos Estados Unidos, o primeiro jogo de xadrez mundo oficial entre o Prague Wilhelm Steinitz, que em seguida, obter a cidadania dos EUA teve lugar, eo Johannes alemão Hermann Zukertort. Como resultado deste jogo, em primeiro lugar, ele conheceu o campeão mundial de xadrez Wilhelm Steinitz.

Imediatamente surgiu a questão: Por que o campeão mundial foi determinada em um jogo entre dois candidatos e não em um grande torneio? Talvez ele estivesse dificulatad relacionado para viajar longas distâncias no século XIX, assim como os jogos bilaterais que se tornou tão popular, embora esse tipo de escolha Chess King não era muito objetivo.




Após a vitória sobre Zukertort, Steinitz venceu mais três jogos para a coroa de xadrez: em 1891, em Nova York, ganhou Isidor Gunsberg e duas vezes (em 1889 e em 1892 em Havana) para Mikhail Chigorin. Em 1894 Steinitz deu o título de campeão do mundo para perder o jogo contra o jogador de xadrez alemão Emanuel Lasker. Havia muitos outros candidatos para o trono de xadrez, entre eles estavam o editor e editor de uma revista de xadrez alemão Siegfried Tarrash, Russo Akiba Rubinstein e americano Harry Pillsberry. Mas Lasker foi capaz de aproveitar a imperfeição do mundo e único sistema de xadrez em 1921, depois de reinar durante vinte e sete anos, desistiu de seu título para o jovem diplomata cubano José Raúl Capablanca.

O que contribuiu para Mundial de Xadrez Capablanca? Sem dúvida, o mérito de o jogador cubano é que formalizou a base das regras de torneios de xadrez, aqueles que, de fato, foram criados por Lasker. Em 1922, Capablanca publicado o famoso "Programa London", que na verdade era um regulamento para realizar torneios para a coroa. Entre os pontos principais do programa foram os seguintes: o torneio dura até o sexto jogo ganhou; o campeão do mundo deve defender o seu título mais de um ano desde que eu aceitei o convite para a revanche; o campeão do mundo não pode ser forçado a defender seu título se os prêmios da fundação não chegar a dez mil dólares.

Muitas pessoas imediatamente acusou o terceiro campeão do mundo apenas algumas poderiam encontrar patrocinadores para a realização de tais torneios. Mas seis anos depois, ele apareceu uma pessoa que podia. Foi o lendário jogador de xadrez russo Alexander Alekhine. Para conseguir patrocinadores teve que deixar seu país natal. Em 1927, em Buenos Aires campeonato de xadrez entre Alekhine e José Raúl Capablanca, no qual o jogador cubano sofreu uma derrota surpresa para ele foi realizado. Mais cedo, Capablanca tinha sido considerado o favorito do torneio. Mas uma luta tensa, que durou dois meses, terminou com a vitória de seu oponente. Então Alexander Alekhine foi proclamado quarta campeão do mundo. O grande jogador de xadrez, criador de obras-primas do esporte, não podia deixar de partilhar o destino dos seus antecessores e foi envolvido ativamente na luta política de xadrez, que, no futuro próximo iria experimentar um boom. Por todos os meios possíveis Alekhine não só se recusou a participar em torneios com aspirantes à coroa, mas usou sua enorme influência para impedir os concorrentes que não participaram terno em torneios. Ele terminou sem jogar a revanche contra Capablanca evitando falar sobre esta questão, e em 1935 aceitou o convite do mestre holandês Max Euwe, com obter uma vitória fácil.

Euwe nunca tinha sequer ganhou a medalha de prata em grandes competições, mas era quase um herói nacional em seu país. Wealthy Holland encontrado fundos para organizar o torneio ao mais alto nível. Foi um milagre não haberselo esperado, Euwe se tornou o quinto campeão mundial de xadrez, mas o seu triunfo durou apenas até 1937, quando Alekhine obteve uma vitória decisiva.

Enquanto isso, no final dos anos trinta, outro jogador soviético Mikhail Botvinnik tornou-se um pretendente real para a coroa. Como sempre, as negociações foram adiadas, e o início da Segunda Guerra Mundial impediu a realização do torneio entre Alekhine e Botvinnik. Em 1946, o primeiro campeão mundial Alexander Alekhine morreu invicto e campeão mundial de xadrez correu para fora.

A escola soviética

Apesar das enormes perdas da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, o país foi capaz de manter o grande potencial de xadrez criado anteriormente, e desde os anos quarenta do país tinha jogadores mais importantes do mundial de xadrez.

Na história do xadrez veio uma nova era: a era da escola soviética. Esse desenvolvimento rápido da escola soviética só foi possível graças ao grande apoio oficial. Sabe-se que os mais importantes sobre eventos de xadrez documentos relevantes analisou e aprovou a Stalin pessoalmente. Xadrez gradualmente se tornou o jogo mais popular na Rússia. Milhões de adultos e crianças em todo o país participando de aulas e jogar em clubes de xadrez. A popularização do xadrez na URSS dedicado e bem - jogadores conhecidos foi o próprio Mikhail Botvinnik, que fez a maior contribuição na criação e desenvolvimento de sistema de xadrez soviético.

Após o congresso da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), em 1947, decidiu-se organizar em Haia e em Moscou uma rodada do torneio para o título de campeão do mundo com a participação de cinco candidatos: Mikhail Botvinnik, Vasily Smyslov e Paul Keres de União Soviética, os EUA Szmul Rzeszewski eo holandês Max Euwe. Mikhail Botvinnik tornou-se o vencedor final e o sexto campeão mundial maio 1948.

Com pequenos intervalos, este grande mundo prático e teórico de xadrez permaneceu superior até 1963. Apenas duas vezes, e apenas para as partes de vingança, deu o primeiro grande título Vasily Smyslov e Mikhail Tal então. Em 1960, no curso de intensa competição, também ele pegou por um ano o título de campeão jovem mestre Mikhail Tal Riga.

Enquanto isso, entre os candidatos que eles torneio continuou. Sob as novas regras de partidos revanche FIDE e a posse época do título de campeão sem ter que se conformar cancelada foi reduzida para três anos.

Em 1962, na ilha de Curaçao, Tigran Petrosian, a partir de Yerevan, que já tinha sido por muito tempo na elite mundial de xadrez, ele ganhou o direito de jogar com Botvinnik, que venceu na final realizada em Moscovo, em Maio 1963 por 12,5 pontos contra 9,5. Petrosyan passou seis anos no topo até que em 1969 cedeu o título para Boris Spassky, que, três anos depois, em Reykjavik jogando contra Robert Fisher, tocou a todos xadrez (e não só!) Com dignidade e politicamente correto. Por causa da partida de Fisher começou com alguns dias de atraso e Boris Spassky tinha todo o direito de se recusar a jogar e manter o título e automaticamente três anos, mas não tirar proveito da situação e justa luta perdeu o título de rei da xadrez. Pela primeira vez no período pós-guerra não era um campeão de xadrez soviético. Esta mudança de eventos foi um verdadeiro golpe para a comunidade xadrez soviético. Havia uma necessidade urgente de melhorar a situação.

Naquela época, um dos jogadores mais fortes do mundo, que ganhou o ciclo de candidatos, Anatoli Karpov, estava disposto a enfrentar os EUA para concorrer ao trono de xadrez. Inesperadamente para todos, Robert Fisher se recusou a competir com o jovem jogador Soviética, e Anatoly Karpov, sem lutar, foi declarado XII Campeonato Mundial de Xadrez.

Mas Robert Fisher entrou na história do xadrez não só como o décimo primeiro campeão do mundo, mas também como um grande reformador, cuja influência fez a FIDE mudou as regras da luta pela coroa de xadrez: a partir de então campeão mundo voltará a ter o direito de igualar a vingança, o ciclo de campeonato foi reduzida para dois anos, e a partida da final para a coroa de xadrez foi limitado, ou seja, foi jogado até seis vitórias, há restrições sobre o número jogos.

Por mais de dez anos, Anatoli Karpov foi o campeão indiscutível do mundial de xadrez depois de uma série de desafios difíceis com Viktor Korchny e depois de defender com sucesso seu título pela primeira vez na cidade filipina de Baguio em 1978 e três anos mais tarde, na cidade italiana de Merano. Em meados de 1980, o mundo inteiro assistiu a um confronto entre os dois, que culminou com a proclamação do décimo terceiro campeão mundial: Garry Kasparov.

Esta batalha do mundo titãs xadrez em a um lado atraiu enorme interesse público, e sobre o outro, finalmente revelado todas as deficiências das regras existentes do campeonato do mundo torneio e fez com que o sistema de xadrez cisma existente. Em adição, há muitos anos na luta pela coroa de xadrez participaram jogadores de xadrez exclusivamente soviéticos, por isso não é de estranhar que a forma clássica da coroa torneio de xadrez entrou em declínio em simultâneo com a crise do regime político soviético. E xadrez não foi excepção veio um tempo diferente com outros campeões de acordo com diferentes versões de federações de xadrez com outras regras e outra história. Pouco depois de Kasparov ganhou o título do campeonato, o colapso da União Soviética .

Mudanças na Federação Internacional de Xadrez

Em 1993, Kasparov e outros acesso imediato ao pretendente xadrez coroa, Nigel Short, culpou a FIDE de corrupção e falta de profissionalismo, deixou a organização e fundou a Associação de Xadrez Profissional (PCA em seus sisglas inglês), sob cuja égide realizou um torneio para o título de campeão mundial em Londres. Depois disso, FIDE despojado do título Kasparov de campeão do mundo e este título foi disputado entre Anatoli Karpov e Jan Timman, o que levou ao surgimento de dois campeões mundiais, Kasparov, dependendo da versão da Associação Profissional de Xadrez e Karpov como a versão FIDE.

Pouco depois do PCA deixou de existir devido à falta de financiamento, e em 2000, Garry Kasparov ganhou a chance de defender seu título em uma partida com Vladimir Kramnik, que jogou sensacionalmente e destronou seu famoso rival, se tornar o próximo campeão do mundo como a "versão oficial".

Além disso, a FIDE organizou o próximo torneio para o título de campeão na luta bem-sucedida com Gata Kamsky defendeu o campeão do mundo XII Anatoly Karpov.

Então FIDE decidiu mudar as regras existentes sobre a determinação da campeã mundial, determinando que a partir desse momento o campeão iria participar do torneio de qualificação nas mesmas condições com outros pretendentes.Karpov se recusou a jogar pelas novas regras, e em 1999 ganhou o título Alexandr Jálifman; em 2000, Viswanathan Anand; em 2002, Ruslan Ponomariov; e, em 2004, Rustam Kasymdzhánov. Em 2005, a FIDE decidiu organizar o campeonato sistema de duas rodadas. Karpov e Kramnik se recusou a participar nele e Veselin Topalov da Bulgária se tornou o novo campeão do mundo.

O "degelo" nas relações entre as duas associações de xadrez opostos veio em 2006, quando eles chegaram a um acordo sobre a conclusão da partida de "unificação" entre Topalov e Kramnik. Assim, o FIDE restabeleceu o seu domínio no mundo do xadrez, embora nem todos os atletas e oficiais aprovou. No entanto, hoje, é a única versão do coroa torneio de xadrez.

Campeões do mundo

Wilhelm Steinitz, 1886-1894, Áustria / EE. UU.
Emanuel Lasker, 1894-1921, Alemanha
Jose Raul Capablanca, 1921-1927, Cuba
Alexander Alekhine, 1927-1935, Rússia / França
Max Euwe, 1935-1937, Holanda
Alexander Alekhine, 1937-1946, França
Mikhail Botvinnik, 1948-1957, União Soviética
Vasily Smyslov, 1957-1958, União Soviética
Mikhail Botvinnik, 1958-1960, União Soviética
Mikhail Tal, 1960-1961, União Soviética
Mikhail Botvinnik, 1961-1963, União Soviética
Tigran Petrosian, 1963-1969, União Soviética
Boris Spassky, 1969-1972, União Soviética
Robert James Fischer, 1972-1975, EE. UU.
Anatoly Karpov, 1975-1985, União Soviética
Gari Kasparov, 1985-1993, União Soviética / Rússia

Campeões do Mundo "clássico"
Gari Kasparov, 1985-2000, Rússia
Vladimir Kramnik, 2000-2006, Rússia

Campeões do Mundo FIDE desde 1993
Anatoly Karpov, 1993-1999, Rússia
Alexandr Jálifman, 1999-2000, Rússia
Viswanathan Anand, 2000-2002, Índia
Ruslan Ponomariov, 2002-2004, Ucrânia
Rustam Kasimdzhanov, 2004-2005, Uzbequistão
Veselin Topalov, 2005-2006, Bulgária

campeões mundiais unificados
Vladimir Kramnik, 2006-2007, Rússia
Anand Viswanathan, 2007, a Índia
Viswanathan Anand, 2008, a Índia
Viswanathan Anand, 2010, a Índia

campeões do mundo oficiais
Vera Menchik-Stevenson, 1927-1944, Rússia / União Soviética
Ludmila Rudenko, 1950-1953, Rússia / União Soviética
Yelizaveta Bykova, 1953-1956, Rússia / União Soviética
Olga Rubtsova, 1956-1958, União Soviética
Yelizaveta Bykova, 1958-1962, União Soviética
Nona Gaprindashvili, 1962-1978, União Soviética / Rússia
Maya Chiburdanidze, 1978-1991, União Soviética / Geórgia
Junho Xie 1991-1993, China
Susan Polgar, 1993-1996, Hungria
Junho Xie 1996-2001, China
Chen Zhu, 2002-2004, China
Antoaneta Stefanova, 2004-2005, Bulgária
Xu Yuhua, 2006, a China
Alexandra Kosteniuk de 2008, a Rússia
Hou Yifan de 2010, na China

sábado, 1 de outubro de 2016

Resenha: Endgame Virtuoso (Final de Jogo Virtuoso, em inglês), de Vasily Smyslov






Título: Endgame Virtuoso
Autor: Vasily Smyslov
Editora: Everyman Chess (Grã Bretanha)
Idioma: Inglês
Nº de páginas: 176
Formato: brochura
Ano: 1997



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Vasily Vasiliyevich Smyslov, (em russo: Васи́лий Васи́льевич Смысло́в), (Moscou, 24 de março de 1921 — Moscou, 27 de março de 2010) foi um enxadrista soviético e cantor de ópera, tendo sido campeão mundial de 1957 a 1958. Smyslov atingiu o grau de "GM", "Grande Mestre", célebre por sua renomada arte nos finais das partidas de xadrez. 

Sua espetacular vitória contra Botvinik no Campeonato Mundial de 1957 foi muito atribuída a sua habilidade neste aspecto do jogo (parte final). Vencedor de inúmeros títulos, aos 61 anos Smyslov tornou-se o mais velho jogador a se qualificar para disputar um Campeonato Mundial.

Esta obra é dedicada ao estudo de finais. É dedicada a enxadristas com alguma experiência, pois não avalia os finais ditos "básicos", mas sim alguns mais complexos. 

O livro é divido em sete partes: 

a) finais com peões; 
b) finais com peças menores; 
c) finais com a torre; 
d) finais com a torre e peças menores; 
e) finais com a Dama; 
f) estudos do autor; 
g) jogos ilustrativos.


Um diagrama de um final de partida

O final de jogo é um tema muitas vezes desprezado pelos enxadristas, que podem considerar seu estudo chato e monótono. No entanto, a mais vitoriosa escola de xadrez, a da antiga União Soviética, tem por método justamente que o iniciante deve estudar exaustivamente finais antes de qualquer coisa. John Barroso, famoso enxadrista brasileiro radicado nos EUA, autor de "Como aumentar sua força enxadrística" (Editora Ciência Moderna, Rio de Janeiro, 2015) afirma:

"ao iniciante é mais importante praticar finais do que aberturas. Isso porque os iniciantes (digamos que nunca jogou em torneio, mas já sabe as regras de xadrez, ou quem ranqueia abaixo de 1.400 pontos), cometem tantos erros no início de tal forma que o erro de um anula o erro do outro (!). O que vale mesmo é o que acontece no final!" (obra citada, Introdução)

O final do jogo é o que realmente necessita ser dominado, pois é o que decide a partida. Bom estudo!